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Subindo a escada do fim da crise

“Embora a curva da economia tenha se descolado da política, a intensidade e a velocidade da recuperação ainda estão muito condicionadas por ela.”

Todas as análises sobre a saída desta crise, que já pode ser considerada a maior da história econômica documentada no Brasil (desde 1900), apontam no sentido de que, depois do mergulho profundo na recessão (quase -7% em dois anos), a retomada que está começando será muito lenta. Ou seja, podemos dizer, sem medo de errar que, em termos de desempenho do PIB, “descemos de elevador e vamos subir de escada”.

Isso porque, embora a curva da economia tenha se descolado da política, a intensidade e a velocidade da recuperação ainda estão muito condicionadas por ela. Um dos saldos severos dos anos de descontrole foi a necessidade de um ajuste fiscal do setor público federal da ordem de mais de R$ 300 bilhões (mais de R$ 150 bilhões de déficit somados aos mais de R$ 150 bilhões de necessidade de superávit primário). E se esse problema não for enfrentado de forma adequada pelo próximo presidente da República, a recuperação ficará comprometida. Se for eleito, por exemplo, um populista que prometa soluções fáceis para problemas complexos, a recuperação será prejudicada com ampliação do esgarçamento do tecido social.

Diante desta perspectiva de recuperação lenta, mesmo em face do cenário mais otimista, cabe reforçar as recomendações que tive oportunidade de fazer para as empresas no lançamento da Agenda 2018 (ver matéria de capa desta edição da Algomais). São elas: (1) Manter a Cautela Redobrada (justamente por conta da lentidão da retomada, não se deve abrir mão do cuidado requerido); (2) Retomar o Risco com Cuidado (todavia, com o início da recuperação, ainda que lenta, é preciso já retomar a dose de risco calculado que caracteriza os bons empreendedores); (3) Preparar os Colaboradores (para a nova realidade pós-crise, bem diferente daquela anterior a ela); (4) Reforçar a Escuta do Cliente (isso porque a crise mudou muito os hábitos de consumo e é preciso ouvir com atenção as novas demandas da clientela); (5) Preparar-se para 4ª Revolução (há quem diga que a disrupção digital em curso já se configura como uma 4ª revolução industrial que promoverá mudanças de grandes proporções na realidade cotidiana dos negócios e preparar-se para ela é uma demanda irrecusável).

No mais, continuar perseverando na crença de que, mesmo quando a escada da recuperação é longa e íngreme, as crises são grandes oportunidades de inovação e crescimento.

*Artigo publicado na edição 141 da revista Algomais (www.algomais.com)

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FRASE DA SEMANA TGI

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O fim da crise ainda requer muita atenção ao caixa

“Lucro é opinião. Caixa é fato.” Máxima do mundo financeiro corporativo.

Ainda que a crise econômica comece a dar evidências de que está chegando ao fim, permanecemos em período de turbulência acentuada no mercado, o que torna as empresas mais vulneráveis, especialmente as pequenas e médias. Essa época, além de promover quedas de demanda, que podem ser expressivas, também oferece oportunidades para novos players entrarem no mercado, aumentando muito a concorrência e a perda de clientes.

Para reforçar a competitividade e melhor enfrentar essas situações, é essencial continuar cuidando com atenção do fluxo de caixa empresarial. E, para isto, algumas recomendações são bem-vindas:

1. Os custos fixos devem ser gerenciados e minimizados. Deve-se ter atenção a tudo o que for despesa supérflua e detalhes aparentemente insignificantes que podem ser otimizados. Um bom encaminhamento para isto é envolver a equipe e pedir a opinião de quem mais está relacionado com o problema.

2. Um ponto comumente esquecido mas que, se não for tratado, pode gerar graves problemas para a empresa são as provisões. Despesas datadas como décimo-terceiro, férias e rescisões devem ter reservas previamente alocadas para evitar surpresas, problemas legais e pressão pontual sobre o caixa. Também é importante fazer uma reserva para investimentos relativos à manutenção da competitividade empresarial. Uma alternativa é definir um percentual mensal dos lucros ou do faturamento a ser provisionado.

3. Quase todos os negócios têm épocas mais e menos favoráveis. Para lidar com isso, é importante fazer uma provisão para enfrentar as épocas mais difíceis.

4. É fundamental que sejam elaborados cenários (otimista, livre de surpresas e pessimista) e simulações para as projeções de vendas e, consequentemente, de receitas. Também é importante considerar as deduções sobre a receita, os custos diretos de produção, as despesas de custeio, as despesas financeiras, incluindo o custo do capital, e as provisões para custeio e investimentos. Esta iniciativa pode ser complementada com o mapeamento e a análise de fontes alternativas de recursos e de crédito.

5. Finalmente, também devem ser considerados os fluxos de recebimentos e pagamentos, já que um descasamento temporal pode gerar pressão por uma linha de crédito emergencial, que pode sacrificar o resultado do negócio ou, mesmo, em situações extremas, levar ao seu fim.

Esses cuidados, embora muito importantes, não são suficientes, infelizmente, para assegurar que o negócio não quebre. Afinal, toda situação de mercado traz consigo um grau mais ou menos alto de incerteza. Todavia, prestando atenção ao destacado, diminuem as chances de se assumirem negociações ou de se tomarem decisões que possam gerar surpresas negativas para a empresa, transformando o dia a dia da gestão num inferno que poderia ter sido evitado com mais atenção ao fato inelutável do caixa.

Gestão Mais é uma coluna da TGI na revista Algomais. Leia a publicação completa aqui: www.revistaalgomais.com.br

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