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Competências escassas no Brasil

Falamos recentemente sobre o interesse das organizações em profissionais com perfil empreendedor. Entretanto, um estudo recente da consultoria de educação corporativa AfferoLab constatou que, entre os fatores que mais travam as contratações no país, está a dificuldade de encontrar candidatos com algumas das competências consideradas essenciais pelas empresas, entre elas o empreendedorismo.

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Pior do que a crise é o medo dela

por Fábio Menezes, sócio da TGI Consultoria em Gestão

Integrantes da Rede Gestão fazem avaliação do momento pelo qual o Brasil vem passando.

Como em quase tudo no campo da gestão empresarial, também para o enfrentamento de momentos de crise não existe “fórmula mágica”. O que devemos considerar são recomendações básicas que exigem adaptação a cada realidade organizacional. De uma maneira geral, os gestores devem fazer dois movimentos: (1) para dentro da organização, é preciso cuidar com afinco da preservação do caixa, reprogramando alguns investimentos se necessário, e da sustentação do ânimo da equipe, mantendo a clareza da comunicação, sobretudo em relação às decisões que precisem ser tomadas para o enfrentamento da crise; (2) com relação ao mercado, o investimento deve se concentrar na inovação, com foco na busca por receitas não tradicionais, seja com novos produtos/serviços ou com novos mercados ainda não atendidos. Fabio Menezes – sócio da TGI Consultoria em Gestão.

Embora de tempos em tempos com ritmos diferentes, a economia não para nunca de girar. Nós é que talvez não estejamos na velocidade adequada ou, quem sabe, a nossa forma de viver não esteja facilitando o giro da roda no compasso do mundo. Por outro lado, atravessando o ritmo, o tal do medo paralisa, entreva e, em qualquer situação, precisa ser enfrentado, particularmente nas fases em que esse ritmo está menos agitado. Nesses tempos, em vez de medo, o mais indicado é aproveitar a situação para observar mais ao redor, planejar novo compasso e ajustar a forma corporal da empresa. É tempo de pensar ativamente, fazer revisões, manutenção e reciclagem. Parar, jamais! Empresas têm ciclos, mas, no ecossistema organizacional, a morte é para quem quer parar de dançar ou para os que não estão tratando de evitar a queda. Sergio Ferreira – sócio da Guimarães Ferreira.

Do ponto de vista da gestão, é um momento difícil, delicado e que exige atenção. Uma crise econômica pede revisão dos investimentos e dos custos adequação dos produtos e serviços e ajustes no funcionamento da empresa às novas necessidades. Os empresários precisam fazer tudo isso, mas sem colocar em risco o futuro dos negócios. Cortes excessivos de investimentos ou de despesas estratégicas podem ser um tiro no pé. Essa situação não será para sempre, momentos melhores virão, e as empresas e os profissionais precisam estar preparados para aproveitá-los. Ter medo faz parte, e ele ajuda a pensar opções de saída de situações difíceis, mas, quando excessivo, paralisa e cria as condições perfeitas para a concretização do pior cenário. Georgina Santos – sócia da ÁgilisRH.

O Brasil já conviveu com situação econômica muito pior do que a atual. Durante as graves crises do passado, criamos “defesas” que hoje nos ajudam no setor financeiro, na cultura empresarial e mesmo no governo. O problema atual é que há uma crise política que acirra os ânimos e contagia negativamente o ambiente de negócios. Não podemos deixar isso acontecer. É preciso cobrar responsabilidade e serenidade política. Os problemas políticos passam, e o País continua. A crise econômica causará certa retração, mas não destruirá nosso mercado. E já é possível ver que, com maior ou menor dificuldade, a questão econômica está endereçada pelo governo. Nem todos segmentos estão sendo impactados da mesma forma, e é preciso lembrar que o conjunto de investimentos privados, gerando empregos e renda, é a força motriz para a própria retomada do crescimento. Assim, o momento pede cautela, mas não uma desmedida retração geral.  É preciso planejar melhor os investimentos e perceber que a vida continua! Gustavo Escobar – sócio do escritório Escobar Advocacia.

Apesar de nuvens bastante carregadas na economia e na política, o País continua caminhando, na verdade a passos lentos e de lado, mas continua funcionando. Algumas empresas estão demitindo, principalmente aquelas que prestam serviços para o governo, a indústria naval e o petróleo. Outras, no entanto, estão revendo processos, melhorando seus indicadores de desempenho e contratando gente. Existe demanda nas áreas financeira, de informática, de gestão e de saúde. Uma coisa é certa, uma hora a crise passa, a dinâmica da economia faz aparecer empresas e profissões, enquanto outras ficam pelo caminho. Quem souber aprender com a crise sairá fortalecido para enfrentar um novo ciclo de crescimento, num outro cenário de negócios, oxalá mais ético e produtivo. Carlos Alberto Valença – sócio da ACTBel Assessoria e Consultoria Técnica em RH.

Um país como o Brasil, com as riquezas que possui, não pode viver centralizando seus sonhos e desejos na personalização de poder de um representante eleito. Diferentemente do que muita gente pensa, não precisamos diminuir o tamanho do Estado, precisamos mesmo é aumentar a participação da sociedade. A crise que se apresenta tem duplo caráter: político e econômico. Esta condição se auto alimenta e se transforma em  espiral vicioso até o ponto de ruptura, o qual ainda não enxergamos. Faz-se necessária a aparição desse ponto de ruptura, quer seja por ação política, quer seja por ação social. Cabe ao cidadão provocar a melhoria do seu microambiente, pelejando, acreditando, cobrando, trabalhando, empreendendo, gerando a riqueza de que o Brasil tanto precisa, enfrentando a crise de peito aberto, sem medo do embate. Já passamos por maiores e piores e sobrevivemos, e ninguém entende mais de crise do que nós. Pior do que a crise é o medo dela, e a causa do medo é a ignorância. Gilberto Freyre Neto – coordenador-geral de Projetos da Fundação Gilberto Freyre.

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O LEGADO DA SELEÇÃO ALEMÃ NA COPA

A derrota do Brasil pela Alemanha na Copa do Mundo abalou o País, mas é preciso reconhecer a competência dessa seleção e aprender com seus acertos.

No campo da gestão, o principal legado que a Alemanha deixa para os executivos é: planejamento, perseverança e dedicação. Esse time vitorioso analisava cada adversário e se preparava distintamente para enfrentar cada um.

Qualidades brasileiras, como o improviso e o nosso famoso “jeitinho”, já não são suficientes para construir equipes bem-sucedidas. É preciso enfrentar os desafios com mais seriedade e profissionalismo. Apenas mudar de técnico ou gestor pode não ser a solução.

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A sórdida pelada shakesperiana sem Capitão

Veja a primeira parte da análise aqui: Toda derrota é anterior a si mesma

“Em futebol, é pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num córner mal ou bem batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural.” (Nelson Rodrigues, 1912-1980, cronista e dramaturgo pernambucano).

Desde a postagem anterior que eu deveria estar calado sobre futebol, afinal tinha feito uma promessa de não tratar do tema. Como se não bastasse, todo mundo na copa e, em especial, depois da goleada humilhante tomada da Alemanha, está falando e escrevendo sobre o assunto. E como se isso não fosse suficiente, eu deveria prestar atenção na advertência de Nelson Rodrigues: “a mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana”. Mas não, a imprudência me impele e seguir adiante e, agora, falar sobre os fatores “internos” da derrota.

Posso argumentar a favor da minha quebra de promessa que, afinal, não foi uma derrota qualquer. Segundo o correspondente da Veja em Paris, Antonio Ribeiro: essa foi “a mais elástica goleada sofrida pela Seleção Brasileira no espaço de um século. A maior derrota em uma semifinal na história das 20 copas. O resultado mais vexatório apresentado por um país anfitrião. E o improvável mesmo nas peladas de várzea: tomar 5 gols em menos de meia hora.” Perdão, Nelson, mas não me contenho mais uma vez e vou me aventurar a opinar sobre as razões “de dentro” da derrota humilhante.

Como faz muito tempo que não acompanho futebol (além de jogar, acompanhei tudo sobre o assunto, mais ou menos dos 10 aos 25 anos e até treino do Sport frequentava, imaginem…), não sabia dos detalhes, mas achava alguma coisa estranha naquele time do Brasil que começou a copa ganhando mas sem convencer, pelo menos a mim.

Primeiro achei estranho o time, além do goleiro e do centroavante, ser de jogadores muito jovens. Perguntei aos entendidos: por que Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e outros jogadores com mais experiência (afinal, isso é uma copa do mundo onde experiência vale muito) não foram convocados? Os entendidos não sabiam… Depois achei estranho que o time jogasse sem meio de campo, as bolas saiam da defesa para o ataque através de chutões para a frente. Perguntei aos entendidos o porquê e eles também não sabiam. E o time empatando e vencendo e não convencendo… Até que vem a disputa dos pênaltis e todo mundo começa a chorar… Até o capitão sentado na bola, desolado, rezando para não cobrar pênalti. O capitão! Sem falar no goleiro, também chorão… Bom, passamos, apesar do choro. Mas ficou a impressão de um bando de meninos misturadamente mascarados (o caso flagrante de Neyma que, apesar de talentosíssimo, não podia levar um empurrão que voava em câmara lenta para a “loucuuuuura” de certos narradores televisivos) e amedrontados, no ultrapassadíssimo esquema dos garotos do tiozão (ou dos tiozões já que o chatíssimo do Parreira também estava na jogada). E pra mim, o pior, depois da flagrante manifestação de fraqueza de Thiago Silva, sem capitão.

Mas, aí, chega a Alemanha que aprendeu a lição da derrota em seu próprio país e fez o dever de casa direitinho. Não deu outra: o castelo de cartas desabou de forma desastrosa… Só foi de sete porque, tenho certeza, por que o técnico alemão no intervalo mandou maneirar e, até, deixar o Brasil fazer o gol de honra. Não fora isso, o placar passava de dez!

Um modelo paternalista caduco (no dias de hoje, “família Scolari”, me poupe), um time de jovens sem experiência copa do mundo, emocionalmente desequilibrado, um técnico teimoso e paralisado diante da hecatombe de cinco gols em 30 minutos, uma equipe sem capitão. Receita de tragédia diante de um adversário forte. Se fosse uma empresa, já teria falido.

O que mais me chamou a atenção na saraivada de gols foi a ausência de um capitão que dissesse algo assim: “somos um time penta campeão ou um prato de papa?“. Saudades de Dunga que é um técnico muito ruim, mas foi um excelente capitão.

Leia as demais análises acerca da seleção sob a ótica da Gestão em: Gestão na Copa

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Toda derrota é anterior a si mesma

Tinha prometido a mim mesmo não falar de futebol nesta Copa. Afinal, estou tentando bravamente entender cada vez menos deste cada vez mais frequentemente frustrante “violento esporte bretão”. Todavia, depois da inacreditável derrota de hoje, vejo-me irresistivelmente compelido a quebrar minha promessa.

No tempo em que eu pensava, como a maioria dos brasileiros, que entendia alguma coisa de futebol, cheguei a escrever uma artigo em louvor de Felipão como grande responsável pelo penta campeonato. Para isso, me vali do grande cronista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) que, dentre centenas de frases geniais, perpetrou essa: “toda grande vitória é anterior a si mesma”.
Naquela época, Filipão e seu estilo deram conta do desafio. Hoje, não mais.

Lembro de Nelson agora, com um ajuste por antítese de sua frase: “toda grande derrota é anterior a si mesma“.

Sim, essa derrota vem de longe. Vem do inacreditável amadorismo a que foi relegado o futebol no Brasil desde então, enquanto os adversários (em especial os europeus) avançaram (e muito!). Vem da ideia hoje maluca que improvisação, “inventividade”, malandragem, paternalismo, por si sós, conseguem superar o trabalho duro, o treinamento, a estratégia, a preparação, a experiência.

Tomara que essa derrota humilhante sirva para abrir os olhos de algumas pessoas para o fato de que ou mudamos no futebol (e em muitas outras coisas também) ou vamos ser ultrapassados já, já na titulação inédita que conquistamos, em tempos heróicos, pelos países adversários que já entenderam, há muito tempo, que futebol é coisa importante demais para ser deixado exclusivamente por conta da cartolagem (e, no nosso caso, que cartolagem!).

Na Europa, que salvo uma zebra deve levar essa Copa, futebol é um assunto empresarial, muito bem e profissionalmente administrado (vide o Barcelona!). O resto, como dizia Millôr Fernandes sobre a imprensa submissa, é “armazém de secos e molhados“. Torçamos pelas boas lições da derrota.

Valei-nos, Nelson!

Leia as demais análises acerca da seleção sob a ótica da Gestão em: Gestão na Copa