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Por cidades mais justas e sustentáveis

por Fernando Braga, sócio da TGI Consultoria em Gestão

Atualmente, 85% da população do País vive nas cidades, e a expectativa é de que, até 2020, nove em cada dez brasileiros residam em centros urbanos. Pressionadas por problemas de infraestrutura, as cidades enfrentam o grande desafio de absorver esse crescimento oferecendo uma boa qualidade de vida aos seus habitantes e se desenvolvendo de forma sustentável do ponto de vista ambiental, social e econômico. Uma ferramenta que aposta na organização em rede está se propondo a ajudar os gestores a vencer essa exigente tarefa. A Plataforma Cidades Sustentáveis foi o tema debatido na reunião mensal da Rede Gestão, em uma apresentação do consultor Fernando Braga, sócio da TGI Consultoria em Gestão.

A Plataforma é um dos eixos principais do Programa Cidades Sustentáveis, uma iniciativa da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, entidade criada em 2008, que hoje reúne movimentos e organizações da sociedade civil de 39 municípios brasileiros. O objetivo da Rede é promover a troca de informações, conhecimentos, boas práticas e experiências bem-sucedidas entre as cidades, em um processo que envolve não só os gestores, mas também a sociedade civil organizada. “A Plataforma consiste em uma agenda de ações e iniciativas para propor um futuro sustentável para as cidades”, explica Fernando. A iniciativa se concretiza com base em quatro pilares: (1) Seleção de prioridades apropriadas às necessidades locais e regionais; (2) Promoção de processos participativos, locais e regionais, identificando metas específicas e horizontes temporais de monitoração; (3) Definição de metas concretas de sustentabilidade e de ações integradas nos níveis local, regional e nacional; e (4) Elaboração de políticas públicas para a sustentabilidade.

Para oferecer referenciais que possam balizar a atuação dos gestores na busca dos objetivos, a Plataforma disponibiliza cerca de 100 indicadores básicos e mais de 300 indicadores gerais em 12 eixos — entre eles, governança, saúde, mobilidade, consumo, economia, educação, cultura, planejamento e desenho urbano, gestão local, equidade e bens naturais comuns. Assim como acontece na gestão das empresas, os indicadores funcionam como norteadores, estabelecendo parâmetros que ajudam no desenvolvimento, na execução e na avaliação das estratégias adotadas. A Plataforma também compartilha referências de práticas de governança sustentável bem-sucedidas em cidades de todo o mundo que possam servir de inspiração e ser adaptadas à realidade local.

Dos prefeitos que tomaram posse em todo o País, mais de 200 são signatários da Plataforma e se comprometeram, durante a campanha, a incorporar as metas propostas aos seus planos de governo. Em Pernambuco, sete prefeituras já assinaram a Carta Compromisso. Como signatários, eles se comprometeram a produzir um documento com o diagnóstico da situação atual contendo, no mínimo, os indicadores básicos da Plataforma Cidades Sustentáveis e que sirva de referência para o estabelecimento de um Plano de Metas, contemplando os 12 eixos da Plataforma para os quatro anos da gestão. “A Plataforma é uma ferramenta que estimula a discussão, debate alternativas viáveis e integra poder público e sociedade na construção de cidades mais justas e sustentáveis”, afirmou.

Além de apoiar a estratégia e a gestão das cidades por meio dos indicadores de sustentabilidade, o Programa Cidades Sustentáveis também procura promover a participação e o engajamento da sociedade civil. O princípio é que o poder público, sozinho, não consegue dar conta dos enormes desafios envolvidos na tarefa de tornar as cidades brasileiras sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental. O site www.cidadessustentaveis.org.br traz mais informações sobre o Programa, os indicadores sustentáveis e as formas de participação de cidadãos, organizações sociais e empresas.

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Um projeto para os 500 anos do Recife

Capital mais antiga do Brasil, o Recife está à beira do colapso urbano. Maltratada, com sérios problemas de mobilidade, centro abandonado, calçadas intransitáveis e patrimônio público degradado, a cidade está prestes a perder a sua “alma”, tornando-se igual a qualquer outra cidade ruim, sem personalidade própria. Mas é possível desviar do rumo do abismo e desenhar, a tempo, um projeto de longo prazo para que o Recife chegue aos seus 500 anos, em 2037, como uma cidade sustentável.

O diagnóstico e a proposta de intervenção urbana foram apresentados pelo consultor Francisco Cunha, sócio-diretor da TGI, na reunião mensal da Rede Gestão, no Pátio Cozinha e Café. O projeto Recife 500 Anos, resultado da contribuição de um conjunto de profissionais e entidades, é um desdobramento da campanha O Recife Que Precisamos, coordenada pelo Observatório do Recife, e traz sugestões concretas para traçar um planejamento de longo prazo para os próximos 25 anos, recuperando a cidade e tratando seus problemas de forma integrada a partir de um projeto de futuro.

“O Recife não tem uma estratégia própria, não sabe aonde quer chegar e, assim, se torna resultado da estratégia de inúmeros outros atores”, assinalou Francisco. “É absolutamente essencial retomar a capacidade de planejamento de longo prazo, pensando a cidade como um todo, e não a partir de ações retalhadas”, defendeu. Para o consultor, o Rio Capibaribe tem um papel essencial nesse planejamento, atuando como o eixo principal de articulação da cidade nesta que talvez seja a última oportunidade de definir um projeto de integração urbana para o Recife.

Uma proposta concreta, viável e inovadora foi dada por arquitetos de Amsterdã, na Holanda, cidade que tem uma estrutura física bastante semelhante à do Recife. Há cerca de três anos, a convite do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, eles se debruçaram sobre a cidade para preparar uma exposição e um workshop dentro da programação do Brasil na Holanda. “O resultado desse trabalho foi surpreendente”, diz Francisco Cunha. “O projeto traçado pelos holandeses é uma inestimável contribuição para o planejamento urbano do Recife, uma nova forma de pensar a cidade, integrando todo o território a partir de sua malha hídrica — rios, córregos, bacias e canais.”

Ao estudarem o mapa, os arquitetos observaram que a malha hídrica permeava todo o Recife, formando em seu contorno a imagem de uma árvore. Embora tenha sido fortemente alterada e esteja em péssimo estado em alguns pontos, a estrutura hídrica perpassa todo o território, interliga as áreas e tem profunda conexão com as ocupações espaciais. A proposta dos holandeses, detalhada tecnicamente, é resgatar essa vocação e o potencial das águas como eixo integrador da cidade.

Eles propuseram uma analogia entre cada elemento da árvore (folhas, flores, frutos, ramos, galhos, tronco e raízes) e a estrutura da cidade (pessoas, canais, córregos, rios, estuários, bacias e praias). A visão de cidade-água poderia resultar em vários projetos que, articulados, seriam capazes de reestruturar o Recife a partir dessa lógica de integração.

Três grandes bolsões verdes — o Parque de Apipucos/Dois Irmãos, o Parque Brennand e o Parque dos Manguezais — seriam as portas de entrada para esse sistema. Juntamente com outras intervenções e ações de requalificação, como a criação de pockets parks (parques de bolso) em diversos bairros; pequenos parques contornando os filamentos de água; tratamento das bordas de córregos e canais para uso de lazer; instalação de ciclovias; recuperação do Rio Capibaribe, o conceito da árvore de água resultaria em uma cidade integrada pelas águas, com mais mobilidade, melhor qualidade de vida para a população e mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas. Além disso, o Recife teria, finalmente, uma visão macro que nortearia as demais estratégias, ações e intervenções, tanto públicas como privadas.

“Não precisamos partir do zero para planejar o Recife 500 anos”, destacou o consultor. “Temos um projeto consistente e viável para que o Recife caminhe na direção de ser uma cidade economicamente pujante, socialmente justa, ambientalmente equilibrada e, sobretudo, espacialmente planejada em 2037”. Francisco Cunha encerrou a apresentação na Rede Gestão com uma frase do escritor Victor Hugo: Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.

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Francisco Cunha entrevistado por Aldo Vilela

 

Saiba mais sobre “O Recife Que Precisamos”: https://www.facebook.com/orecifequeprecisamos

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Seja um agente modificador

A dificuldade de mobilidade urbana nas grandes cidades não é apenas responsabilidade do Poder Público. Você também pode modificar essa situação adotando novos hábitos de locomoção.

A carona solidária no trabalho ou na hora de levar os filhos à escola é uma forma de reduzir o fluxo de veículos. Procure saber a rota das pessoas da sua convivência e proponha o rodízio. Há também outras maneiras de melhorar a mobilidade. Quando for a padaria, farmácia ou outros locais perto, vá caminhando ou de bicicleta.

Essas pequenas atitudes, além de melhorar o convívio social e a mobilidade urbana, são sustentáveis. E o meio ambiente agradece.

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Olhe pelo Recife

Olhe Pelo Recife. Este é o convite que está sendo feito à população da cidade, em uma campanha lançada pelo Observatório do Recife (ODR). Criada há três anos, a entidade tem como proposta mobilizar a sociedade para selecionar, propor e monitorar um conjunto de indicadores e metas que se constituam numa agenda de desenvolvimento sustentável para a cidade do Recife. A campanha Olhe pelo Recife chama a atenção para diversos problemas que afetam o dia a dia da população, como mobilidade, buracos nas ruas, trânsito e lixo, tentando estimular a reflexão e o envolvimento das pessoas no debate sobre possíveis soluções.

Segundo Maria Amélia Leite, integrante do Núcleo Executivo do ODR, a campanha visa ampliar a visibilidade do movimento. “O Observatório existe desde 2008 e precisa ser mais apropriado pelo cidadão recifense, para que ele olhe mais pela cidade, tanto no sentido de observar quanto no de cuidar”, explica. A Rede Gestão é uma das entidades associadas à ODR.

Duas agências de publicidade, a Ampla e a Mart Pet, se uniram para criar as peças e a estratégia da campanha, que inclui anúncios para rádio, jornal e TV e explora, também, outras mídias on-line e off-line, com ações de marketing e de internet. De acordo com o sócio e diretor de criação da Mart Pet, Diego Curvêlo, a agência procurou conhecer profundamente o trabalho do Observatório antes de desenvolver as ações. Já para Humberto Montenegro, diretor de arte da Ampla, o bom do trabalho também está na união de profissionais de duas agências em prol de um bem maior, a solidariedade.

Além das peças, a campanha investe em ações práticas. Já foram realizadas duas edições da caminhada Olhe pelo Recife, promovida pelo ODR, uma iniciativa para incentivar os recifenses a conhecerem melhor a cidade em que vivem, por meio de passeios a pé pelos bairros do centro da cidade. As caminhadas foram guiadas pelo consultor Francisco Cunha, sócio da TGI Consultoria em Gestão, empresa integrante da Rede Gestão e apoiadora do ODR. Para Francisco, um dos autores do guia Um Dia no Recife, andar pelas ruas do Recife tem uma dupla importância. Por um lado, permite que o recifense se aproprie de sua cidade, já que a maioria das pessoas passa diariamente pelas ruas, mas não conhece de fato seus monumentos e prédios históricos. Por outro, estimula a mobilidade urbana, um tema atual e absolutamente necessário. O roteiro da última caminhada, realizada no dia 17 de setembro, incluiu a Praça da República, a Ponte Princesa Isabel, a Rua da Aurora, o Parque Treze de Maio, a Rua do Hospício, a Praça Maciel Pinheiro, a Rua da Imperatriz, a Rua Nova, a Avenida Dantas Barreto e ainda uma visita ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP).

Para Maria Amélia Leite, a campanha Olhe pelo Recife é mais uma ferramenta para ajudar o ODR a cumprir seu objetivo: mobilizar a sociedade para que ela, de fato, possa atuar como protagonista na construção de uma cidade socialmente justa, ambientalmente preservada e economicamente viável. Para mais informações sobre o Observatório do Recife e a campanha Olhe pelo Recife, acesse o site www.observatoriodorecife.org.br.

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