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Não basta planejar


por Fábio Menezes, sócio da TGI Consultoria em Gestão

O final de um ano e início de outro é sempre um momento oportuno de avaliação do que passou e de planejamento das ações para um novo ciclo. No entanto, a tarefa de atualizar e registrar as intenções para o novo período não é suficiente. A experiência mostra que, muitas vezes, as melhores ideias podem surgir não no momento do planejamento, mas na fase do acompanhamento do que foi planejado.

O planejamento estratégico é uma ferramenta fundamental de desenvolvimento de um modelo de gestão orientado para o futuro e, portanto, não deve ser dispensado. É importante adotar uma metodologia de planejamento dinâmica e consistente, com menos esforço no detalhamento excessivo de atividades e cronogramas, mas com foco principal nos alvos estratégicos e no que não pode deixar de ser feito no período.

A reflexão e a tentativa de antecipação das tendências do mercado e dos movimentos da concorrência devem fazer parte do planejamento, mas não é possível prever o futuro com exatidão. Afinal, como teria dito Garrincha, na Copa de 1958, para o técnico brasileiro, Vicente Feola, após o comandante tentar desenhar uma jogada que terminaria em gol do Brasil contra a União Soviética: “O senhor já combinou tudo isso com os russos?”. O futuro não depende apenas de quem está projetando.

O acompanhamento do plano formulado permite desenvolver o pensamento estratégico, aspecto fundamental da competitividade. Quanto mais pessoas numa organização estiverem raciocinando sobre o futuro, mais chance de conseguir atingir os objetivos pretendidos. A prática de ter uma agenda específica para monitorar a estratégia qualifica o planejamento, na medida em que o mantém atualizado, e permite funcionar como um guia efetivo das ações do presente.

Com o ritmo das mudanças cada vez mais acelerado, reforçado pela maior integração dos países e pelo desenvolvimento de mercados hipercompetitivos, os profissionais e as organizações que conseguirem raciocinar sobre o futuro de forma mais sistemática têm mais chance de chegar lá bem posicionados.

Afinal, como disse Peter Drucker, um dos maiores pensadores da administração moderna: “Em tempos turbulentos, os empreendimentos devem ser gerenciados tanto para suportar golpes súbitos quanto para aproveitar oportunidades repentinas e inesperadas”. Como os tempos turbulentos são cada vez mais permanentes… não basta planejar, mas, sim, acompanhar o planejado.

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Um projeto para os 500 anos do Recife

Capital mais antiga do Brasil, o Recife está à beira do colapso urbano. Maltratada, com sérios problemas de mobilidade, centro abandonado, calçadas intransitáveis e patrimônio público degradado, a cidade está prestes a perder a sua “alma”, tornando-se igual a qualquer outra cidade ruim, sem personalidade própria. Mas é possível desviar do rumo do abismo e desenhar, a tempo, um projeto de longo prazo para que o Recife chegue aos seus 500 anos, em 2037, como uma cidade sustentável.

O diagnóstico e a proposta de intervenção urbana foram apresentados pelo consultor Francisco Cunha, sócio-diretor da TGI, na reunião mensal da Rede Gestão, no Pátio Cozinha e Café. O projeto Recife 500 Anos, resultado da contribuição de um conjunto de profissionais e entidades, é um desdobramento da campanha O Recife Que Precisamos, coordenada pelo Observatório do Recife, e traz sugestões concretas para traçar um planejamento de longo prazo para os próximos 25 anos, recuperando a cidade e tratando seus problemas de forma integrada a partir de um projeto de futuro.

“O Recife não tem uma estratégia própria, não sabe aonde quer chegar e, assim, se torna resultado da estratégia de inúmeros outros atores”, assinalou Francisco. “É absolutamente essencial retomar a capacidade de planejamento de longo prazo, pensando a cidade como um todo, e não a partir de ações retalhadas”, defendeu. Para o consultor, o Rio Capibaribe tem um papel essencial nesse planejamento, atuando como o eixo principal de articulação da cidade nesta que talvez seja a última oportunidade de definir um projeto de integração urbana para o Recife.

Uma proposta concreta, viável e inovadora foi dada por arquitetos de Amsterdã, na Holanda, cidade que tem uma estrutura física bastante semelhante à do Recife. Há cerca de três anos, a convite do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, eles se debruçaram sobre a cidade para preparar uma exposição e um workshop dentro da programação do Brasil na Holanda. “O resultado desse trabalho foi surpreendente”, diz Francisco Cunha. “O projeto traçado pelos holandeses é uma inestimável contribuição para o planejamento urbano do Recife, uma nova forma de pensar a cidade, integrando todo o território a partir de sua malha hídrica — rios, córregos, bacias e canais.”

Ao estudarem o mapa, os arquitetos observaram que a malha hídrica permeava todo o Recife, formando em seu contorno a imagem de uma árvore. Embora tenha sido fortemente alterada e esteja em péssimo estado em alguns pontos, a estrutura hídrica perpassa todo o território, interliga as áreas e tem profunda conexão com as ocupações espaciais. A proposta dos holandeses, detalhada tecnicamente, é resgatar essa vocação e o potencial das águas como eixo integrador da cidade.

Eles propuseram uma analogia entre cada elemento da árvore (folhas, flores, frutos, ramos, galhos, tronco e raízes) e a estrutura da cidade (pessoas, canais, córregos, rios, estuários, bacias e praias). A visão de cidade-água poderia resultar em vários projetos que, articulados, seriam capazes de reestruturar o Recife a partir dessa lógica de integração.

Três grandes bolsões verdes — o Parque de Apipucos/Dois Irmãos, o Parque Brennand e o Parque dos Manguezais — seriam as portas de entrada para esse sistema. Juntamente com outras intervenções e ações de requalificação, como a criação de pockets parks (parques de bolso) em diversos bairros; pequenos parques contornando os filamentos de água; tratamento das bordas de córregos e canais para uso de lazer; instalação de ciclovias; recuperação do Rio Capibaribe, o conceito da árvore de água resultaria em uma cidade integrada pelas águas, com mais mobilidade, melhor qualidade de vida para a população e mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas. Além disso, o Recife teria, finalmente, uma visão macro que nortearia as demais estratégias, ações e intervenções, tanto públicas como privadas.

“Não precisamos partir do zero para planejar o Recife 500 anos”, destacou o consultor. “Temos um projeto consistente e viável para que o Recife caminhe na direção de ser uma cidade economicamente pujante, socialmente justa, ambientalmente equilibrada e, sobretudo, espacialmente planejada em 2037”. Francisco Cunha encerrou a apresentação na Rede Gestão com uma frase do escritor Victor Hugo: Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.

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Francisco Cunha entrevistado por Aldo Vilela

 

Saiba mais sobre “O Recife Que Precisamos”: https://www.facebook.com/orecifequeprecisamos

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Agenda TGI debate O Recife que Precisamos

Com os EUA e a Europa ainda tentando sair da crise, os Brics devem continuar a atuar como motor da economia mundial, embora com um crescimento menos acelerado do que o dos últimos anos. No Brasil, o emergente poder de consumo da classe C ajuda a sustentar o crescimento, embora a falta de investimentos e a carga tributária, principalmente sobre os salários, ainda sejam grandes entraves ao desenvolvimento. No Nordeste e em Pernambuco, a seca acende um alerta vermelho, evidenciando a incapacidade do Poder Público de lidar com um problema já conhecido e recorrente. Em meio a esse cenário, o Recife inicia uma nova gestão com um grande desafio: reverter o quadro de caos urbano, encontrando soluções para problemas graves, como falta de mobilidade, calçadas intransitáveis, abandono do centro histórico e degradação do Rio Capibaribe.

A avaliação foi feita pelo consultor Francisco Cunha, diretor da TGI Consultoria em Gestão, integrante da Rede Gestão, no lançamento da Agenda TGI 2013. Durante o evento, transmitido ao vivo pelo site da TGI (www.tgi.com.br), ele falou para cerca de 500 empresários, executivos e profissionais sobre o tema Do Mundo em Transformação ao Recife que Precisamos, fazendo um balanço do ano, do ponto de vista político-econômico, e apresentando os cenários mais prováveis para 2013 no mundo, no Brasil e em Pernambuco.

Mundo – A grave crise econômica que afeta a Zona do Euro não deve ter uma solução em 2013. “A situação dramática pela qual os países europeus passam deve levar mais 6 ou 7 anos para ser definida”, disse Francisco. Os EUA, além da crise internacional, têm outro grande desafio pela frente: o chamado “abismo fiscal” — com corte de gastos e aumento dos impostos —, necessário para reduzir o déficit no orçamento, mas que pode conduzir o país a uma recessão, com crescimento negativo já em 2013. A China também pisou no freio e deve reduzir progressivamente suas taxas de crescimento anual do PIB, de forma planejada, até 2030.

Brasil – Entre os Brics, o Brasil é o país que menos cresce. Segundo Francisco, o modelo de crescimento dos últimos anos, ancorado no aumento do poder de consumo da classe C, já dá sinais de esgotamento, embora ainda tenha fôlego. “Especialistas apontam que o grande problema do Brasil é a falta de investimentos”, assinalou. “Investimos apenas 20% do PIB, enquanto a China investe quase 50%.” A carga tributária brasileira, uma das mais elevadas do mundo, com um volume excessivo de encargos sobre os salários, é outra fraqueza competitiva que, segundo ele, precisa ser enfrentada para que o País possa alavancar seu crescimento.

Nordeste – O Nordeste enfrenta mais uma vez as graves consequências da seca, fenômeno que, embora cíclico, ainda carece de uma estratégia que possa minimizar seus efeitos. “Esse é um problema antigo e recorrente. Todos sabem que vai ocorrer, mas não há planejamento nem ações para reduzir seus impactos, embora 12% da população brasileira encontre-se na região do semiárido”, assinalou.

Pernambuco – O Estado continua crescendo a taxas acima da média brasileira, embalado pelos investimentos estruturadores ainda em fase de implantação. As boas perspectivas de crescimento do PIB devem se concretizar. Porém, cerca de 90% do território pernambucano está localizado no perímetro da seca. Segundo Francisco, é preciso enfrentar esse problema para que o crescimento do Estado não fique encapsulado no litoral, principalmente em Suape.

Recife – O Recife que Precisamos, tema da campanha lançada pelo Observatório do Recife, em parceria com a TGI e a revista Algomais, mereceu atenção especial durante a apresentação. Francisco Cunha defendeu a mobilização da sociedade em torno de cinco pontos principais para recuperar a cidade e iniciar um projeto ousado para que o Recife chegue aos 500 anos, em 2037, com seus principais problemas urbanos resolvidos. Os cinco princípios defendidos pela campanha são:

1) Retomada do controle urbano – Gestão municipal atuante e eficaz para garantir calçadas transitáveis, ruas limpas e seguras, praças e parques equipados, arborização adequada, ambulantes disciplinados, fiação organizada. A ordem de volta à cidade do Recife.

2) Restabelecimento imediato do planejamento a longo prazo – Visualização clara do que deve ser a cidade nas próximas décadas e o caminho compartilhado pelos cidadãos de como chegar lá.

3) Enfrentamento do travamento da mobilidade – Prioridade para uma boa engenharia de tráfego, para a locomoção não motorizada (a pé e de bicicleta) e para o transporte coletivo (metrô e corredores exclusivos de ônibus).

4) Recuperação do centro da cidade – Preservação e transformação do centro em Patrimônio Cultural da Humanidade, resgatando sua importância histórica.

5) Revitalização do Rio Capibaribe – Recuperação física (sem esgoto e sem lixo) e sentimental do rio da integração recifense, a antiga principal via da cidade.

Para aderir à campanha, basta “curtir” a página no Facebook:
facebook.com/orecifequeprecisamos.

Otimismo no Segundo Mandato de Obama
Durante o lançamento da Agenda TGI, foi realizada uma pesquisa com os presentes — empresários, gestores e profissionais de empresas públicas e privadas, representantes de associações empresariais e organizações sociais. Os 358 pesquisados deram sua opinião sobre temas relevantes, revelando suas expectativas para 2013 nos âmbitos mundial, nacional e local. Mundo: Para 73,4% dos que responderam à pesquisa, Barack Obama fará um segundo mandato melhor do que o primeiro, contra 24,4% que responderam igual e 2,2%, pior que o primeiro. Para 61,1%, a nova administração chinesa não conseguirá manter o ritmo de crescimento do PIB, enquanto 38,9% acreditam que sim. Sobre a crise na Zona do Euro, 47,6% acreditam que ela irá se manter igual; 30,7%, que irá piorar; e 21,7%, que irá melhorar em 2013.

Maioria aposta no crescimento do PIB em 2013
A pesquisa também investigou a expectativa dos participantes sobre o Brasil em 2013. Para 59,1%, o PIB do País no próximo ano deve ser maior do que o de 2012. Para 23,9% será igual, enquanto 17% acreditam que será menor. Perguntados sobre em que principal prioridade o governo Dilma deveria concentrar seus esforços até o fim do mandato, 51% responderam educação; 40,7%, infraestrutura; e 8,3%, saúde. A grande maioria dos entrevistados (64,6%) deu uma nota média de 5 a 7 para o Governo Dilma; enquanto 31,1% deram nota entre 8 e 10; e 4,3%, nota entre 0 e 4. Sobre as prioridades para o Estado de Pernambuco, 46% dos pesquisados afirmaram que o governador Eduardo Campos deveria investir em infraestrutura, enquanto 42% responderam educação e 12%, saúde.

Mobilidade deve ser prioridade para o Recife
Em relação ao Recife, os entrevistados também opinaram sobre qual deveria ser a prioridade da administração Geraldo Julio. As respostas foram: mobilidade (33,8%), ordem urbana (22,2%), planejamento de longo prazo (20,5%), educação (13,8%), segurança (5,4%) e saúde (4,3%). No que diz respeito à mobilidade, os pesquisados disseram que a próxima administração municipal deve priorizar: o transporte coletivo (85,9%), os automóveis (5,9%), o pedestre (4,8%) e o ciclista (3,4%).

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Agenda TGI 2013: Do Mundo em Transformação ao Recife que Precisamos

O lançamento da Agenda TGI 2013, no dia 26 de novembro, terá como tema Do Mundo em Transformação ao Recife que Precisamos. Como já é tradição, o consultor Francisco Cunha irá fazer uma retrospectiva dos principais fatos econômicos e políticos do ano e traçar os cenários mais prováveis para 2013. Em sua apresentação, ele irá abordar questões e desafios atuais no Mundo, no Brasil, no Nordeste, em Pernambuco e no Recife. Entre eles:

1. Mundo
. A reeleição de Obama, o abismo fiscal dos EUA e a dificuldade de sair do circulo vicioso do baixo crescimento.
. A grave crise da Zona do Euro – uma década pedida?
. A troca de comando da China e as perspectivas de queda do ritmo de crescimento.

2. Brasil
. O esgotamento da mágica do crescimento pelo estímulo da demanda.
. A falta de investimento e a armadilha do baixo crescimento.
. A tragédia da educação brasileira.
. A falta de planejamento de longo prazo e os avanços do país aos trancos e barrancos.

3. Nordeste
. O risco da região ficar fora do jogo do crescimento depois dos investimentos da Copa de 2014.
. O absurdo da falta de preparo do governo federal para enfrentamento do fenômeno cíclico e previsível da seca em seu ciclo de 30 anos.
. A falta de planejamento e políticas regionais e os impactos de médio e longo prazos para o Nordeste.

4. Pernambuco
. A desaceleração do crescimento trimestral do Estado na mesma curva do país (ainda que acima).
. O problema da educação municipal (5 dos 10 piores IDEBs municipais estão na RMR).
. As boas perspectivas de crescimento para os próximos anos.

5. Recife
. Os grandes desafios da cidade para a próxima gestão municipal.
. Recife 500 anos – o projeto estratégico para os próximos 25 anos.
. A Visão de longo prazo para o Recife.

Acompanhe a transmissão do evento, em tempo real, hoje (26/11), a partir das 19h, acessando o site www.tgi.com.br

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