Agenda 2020: Pernambuco Além da Crise

Em 2020, o que acontecerá com o mundo, o Brasil, Pernambuco e o Recife? Essa foi a questão principal que norteou a palestra do consultor e sócio fundador da TGI Consultoria, Francisco Cunha, durante o evento Agenda 2020, realizado no Teatro RioMar, na última segunda-feira (25).

Em 21ª edição, a Agenda 2020 contou ainda com a participação de Luana Tavares, diretora executiva da CLP – Liderança Pública, organização sem fins lucrativos que desenvolve pessoas para se tornarem líderes públicos no Brasil, que apresentou o ranking da competitividade dos estados em 2019.

Na mesma noite, também foram apresentados os resultados da Pesquisa Empresas & Empresários, pelo também sócio fundador da TGI, Ricardo de Almeida. O evento Agenda 2020 foi promovido pela TGI e pela Revista Algomais.

Confira os pontos principais da palestra de Francisco Cunha:

Mundo

O primeiro destaque internacional é para a economia norte-americana, a mais importante do planeta, que continua de vento em popa e, justamente por isso, começa a preocupar os analistas no que diz respeito ao arrefecimento deste que já se configura como o mais longo ciclo de crescimento do período pós segunda guerra mundial. A questão é: quando virá o desaquecimento e quanto tempo durará? Provavelmente não deve acontecer em 2020 por conta do ano eleitoral.

No que diz respeito à Europa, permaneceu este ano o impasse da saída da Inglaterra da União Europeia, mantendo as incertezas quanto às repercussões do Brexit. Ainda no continente europeu, outro fato relevante foi a intensificação do movimento dos coletes amarelos que ganhou força em 2019, em contestação ao governo da França, e ameaça se espalhar para outros países.

Na China, o ano foi marcado pelo aniversário de 70 anos da Revolução Comunista e pela permanente atuação articulada do País em direção ao continente europeu, com o “desenho” continuamente trabalhado da nova Rota da Seda. A China ainda tem se destacado pelo desenvolvimento tecnológico, em especial da inteligência artificial e das tecnologias 5G. O país lidera a pesquisa nessas áreas e deve se tornar o principal player no mercado até 2030. Hoje, o país asiático forma três vezes mais bacharéis em matemática e ciência da computação, por exemplo, do que os norte-americanos.

Na América Latina, o que chama a atenção é o povo novamente nas ruas, um fenômeno que já está sendo chamado de “Primavera Latina” e, visto no Chile, na Venezuela, no Equador, no Peru e até na Colômbia, por exemplo, parece seguir uma renovada tendência mundial, configurando uma espécie de “segunda onda” de protestos, tendo a primeira acontecido após a crise de 2008 e chegado ao Brasil em 2013.

Brasil

O Brasil de hoje pode ser visto divido em dois cenários: o do “Copo Meio Cheio” e o do “Copo Meio Vazio”. No do “Copo Meio Cheio” estariam enquadrados avanços como queda da inflação, juros mais baixos, Reforma da Previdência e maior articulação internacional, incluindo a aproximação do governo Bolsonaro com a China, como ficou evidente na visita feita ao país asiático e no recente encontro dos Brics em Brasília.

Já no que diz respeito ao “Copo Meio Vazio”, destaca-se a trajetória de recuperação econômica que continua bastante acanhada. E isso é resultado da brutal recessão que o país enfrentou em 2015 e 2016 e do cenário de crise fiscal sistêmica (União, estados e municípios) que traz consequências sérias para a capacidade de investimento do setor público, elevando as desigualdades sociais. Isso tudo em um cenário de crescimento da dívida pública que chegou a R$ 4 trilhões, bem próxima aos 80% do PIB.

No lado da política, destaca-se o fato do ambiente seguir conturbado, a partir de uma realidade de pouca disposição para o diálogo. O que ganha ainda mais força com a decisão do Supremo Tribunal Federal de liberdade para os condenados em segunda instância, o que ajuda a conflagrar ainda mais o ambiente político do País.

Nordeste e Pernambuco

Em todo Nordeste, inclusive em Pernambuco, quando parecia começar a ficar para trás a tragédia da seca, eis que se apresenta a todos, de forma amplamente midiática, a “tragédia do óleo” que contaminou grande parte das praias da região. Isso evidencia uma enorme fragilidade ambiental e provoca grandes prejuízos sociais, econômicos e ambientais.

Do ponto de vista especificamente econômico, o Estado teve, desde o auge da crise, uma queda na sua trajetória de crescimento similar à queda do Brasil. Por outro lado, identifica-se nos últimos trimestres uma retomada do PIB em trajetória superior à brasileira. Apesar disso, como em outros estados, Pernambuco ainda se encontra em meio a uma grave crise fiscal que tem impactado severamente sua capacidade de investimento público.

Em 2020, o Estado deve manter um crescimento levemente superior ao crescimento do País, mas com a persistência da crise fiscal severa continuará com dificuldades na liberação de recursos para novos investimentos.

Recife

No que diz respeito ao Recife, merece destaque o avanço que se tem verificado no município em termos de surgimento de soluções urbanas inovadoras impulsionadas por ONGs, poder público e empresas que buscam a melhoria da relação dos cidadãos com a cidade: Mais Vida nos Morros, cultura maker, pesquisas escolares, arranjos produtivos, entre outras ações.

Esse movimento urbano vem crescendo e se intensificando conforme se verifica também na difusão dos grupos de caminhada urbana, que ampliam a relação das pessoas com o espaço público e reforçam o entendimento de que “caminhar é um ato revolucionário”, na medida em que promove o conhecimento da história da cidade e testam as possibilidades de mudanças e melhorias urbanas.

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