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Número 818 - 29 de junho de 2011

Surgem primeiras manifestações
públicas puxadas pelas novas mídias no Brasil






SMS, Twitter e Facebook começam a funcionar no País como mobilizadores de manifestações políticas de diversos tipos, completamente desvinculadas das lideranças tradicionais

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O que existe em comum nos seguintes eventos: (1) revolta de trabalhadores de obras do PAC em Rondônia, Mato Grosso e Pernambuco (março); (2) movimento contra o preço da gasolina em Natal (abril); (3) protesto de estudantes contra os preços das passagens em Vitória/ES (maio); (4) manifestação contra a recusa da instalação de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis em São Paulo (junho); (5) marcha pela liberação da maconha na Avenida Paulista em São Paulo (junho); (6) acampamento de estudantes na Câmera de Vereadores de Natal/RN contra a prefeita Micarla (junho); e (7) greve dos bombeiros no Rio de Janeiro (junho)?

“Em comum, o fato de as manifestações serem organizadas por meios eletrônicos, sem a tutela de partidos, sindicatos ou entidades estudantis e sem uma hierarquia que permita identificar lideranças.”

Revista Carta Capital, 29.06.11

Depois dos eventos que desencadearam as revoltas no mundo árabe (comentados nos GH/812 e 813), os eventos brasileiros são os primeiros em que aparece com toda a clareza a influência das chamadas novas mídias (SMS, Twitter, Facebook). Talvez sejam o início de uma espécie de preenchimento do espaço que a representação política tradicional não está fazendo. Essas manifestações se dão justamente no momento em que a facilidade tecnológica (com a fragmentação das mídias tradicionais) se junta à crise aguda da representação política no mundo todo e, em especial, no Brasil.

“A sociedade de massa estava estruturada num sistema de representações. E era muita gente. Não dava para falar, para manifestar opiniões. Todo mundo era muito parecido e as coisas discrepantes não interessavam.”

Henrique Antoum, UFRJ, Carta Capital

Diferente das tradicionais, as novas mídias, em especial o Twitter e o Facebook, dão voz  global e em rede a qualquer um que seja cadastrado, mudando radicalmente o acesso à audiência e à possibilidade de participação e articulação.

“Houve muita especulação sobre o impacto das redes sociais. Grande parte dela se focou na possibilidade de os sites prejudicarem os relacionamentos interpessoais e de afastarem as pessoas dos acontecimentos ao redor. [Pelo contrário, elas] mantêm relações mais ativas e são mais propensas a se envolver em atividades cívicas e políticas.”

Keith Hampton, Pew Research Center

São relações completamente diferentes das tradicionais que abrem um horizonte desconhecido, que ninguém sabe como vai evoluir. Há mesmo quem diga que as mudanças necessárias que estão emperradas no país se farão por esses novos canais.

“As entidades de classe que representam a sociedade civil estão um pouco superadas. O futuro da mobilização está nas redes sociais. As redes sociais é que vão fazer a transformação do Brasil. É através delas que essa voz vai chegar e vai criar as motivações para os processos de mudança como aconteceu no Egito, na Tunísia etc. Esse é o caminho: usar as redes sociais como instrumento do processo de mudança.”

Roberto Teixeita da Costa, consultor, GloboNews Painel

O fato é que ninguém sabe, de verdade, o que vai acontecer. Quem disser que sabe ou está enganado ou está enganando. O que dá para perceber é que, com certeza, a coisa não mais será como antes e a hegemonia da mídia e do sistema representativo tradicionais será fortissimamente impactada.

Rede Gestão - 07 de junho de 2011

A Cúpula C40 de Grandes Cidades






por Fátima Brayner

Encontro reunindo os prefeitos das maiores cidades do mundo colocou em pauta a responsabilidade das grandes metrópoles na melhoria da qualidade de vida.

Prefeitos das quarenta maiores cidades do mundo estiveram reunidos, na última semana, em São Paulo, no encontro bianual do C40, entidade que discute alternativas, compartilha experiências bem-sucedidas e soluções para tornar as cidades mais sustentáveis. O encontro colocou em pauta um debate urgente e essencial na agenda global, embora não tenha despertado grande atenção da mídia: qual o papel das metrópoles na condução de questões vitais, como o equilíbrio ambiental e as mudanças climáticas?

Para a consultora Fátima Brayner, sócia da TGI e do INTG e Doutora em Engenharia Ambiental, o encontro do C40 tem grande importância pela responsabilidade crescente das cidades em relação a esses temas. “Desde 2008, quando a população urbana superou a rural pela primeira vez na História, as cidades passaram a desempenhar um papel determinante”, assinala Fátima. “A estimativa é de que, em 2015, o mundo tenha 22 megacidades, com população acima de 10 milhões de habitantes. A discussão sobre o papel dessas metrópoles na melhoria das condições e da qualidade de vida nunca foi tão urgente”, ressalta.

O C40 parte do princípio de que as cidades têm mais flexibilidade para adotar medidas sustentáveis, enquanto os países terminam perdidos em discussões mais amplas, porém com poucos efeitos práticos. A entidade acredita que cabe às metrópoles o papel de protagonismo na implantação de soluções, pela capacidade de adotar atitudes sustentáveis com impacto em questões essenciais, como a redução do efeito estufa e do consumo de energia e as mudanças climáticas.

Estiveram presentes no encontro do C40, o anfitrião, prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg; o ex-presidente dos EUA Bill Clinton; e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick; entre outros. Durante o evento, as cidades compartilharam cases de boas práticas voltadas para a questão da sustentabilidade, como uso intensivo de bicicletas, substituição dos automóveis tradicionais por carros elétricos, disseminação das “construções verdes” e uso de biogás para produção de energia.

Mas o C40 foi além da disseminação de boas iniciativas. Ao final do evento, foi publicada a Declaração de São Paulo, formalizando a reivindicação dos prefeitos das principais cidades por mais espaço na definição de políticas públicas sobre mudanças climáticas e acesso a financiamento de projetos na área ambiental. “As boas práticas e as experiências exitosas são importantes, mas são soluções pontuais”, diz a consultora. “Para dar conta desse imenso desafio, essas ações precisam estar articuladas e vinculadas a políticas públicas de Estado mais amplas e consistentes, para que tenham de fato um efeito concreto em questões como as mudanças climáticas”, acredita.

A ideia é que os principais pontos do encontro sejam aprofundados durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que acontecerá em 2012, no Rio de Janeiro, uma das cidades que integram o C40. A Rio+20 deve ampliar as principais questões debatidas pelo C40, ajudando a consolidar uma agenda “sustentável” com metas definidas para apoiar o planejamento das cidades na questão das mudanças climáticas e do crescimento urbano sustentável. “No mundo predominantemente urbano onde vivemos, é preciso garantir que as cidades se tornem cada vez mais sustentáveis”, ressalta Fátima. “Isso passa por uma discussão mais ampla sobre questões como mobilidade urbana, poluição, infraestrutura, acesso da população a serviços básicos, como água e saneamento, entre outros”, analisa.

Conexão Profissional - 01 de junho de 2011

DYálogo GeracYonal






por Eline Nascimento

Não é só no novo alfabeto do português que o Y dá o que falar. A chamada Geração Y vem sendo um importante tema de discussão no recente panorama corporativo. Executivos e RHs estão dando tratos a bola para a plena compreensão do fenômeno. Às vezes há somente muito barulho ou — fazendo um trocadilho com um termo da área de comunicação — muito ruído. Por isso, o importante é estabelecer as bases de um diálogo claro e produtivo que, no fundo, é um diálogo entre gerações, cujas carências podem ser simplesmente complementares, pois uma necessita da outra para que metas e resultados sejam alcançados pelas empresas.

Um recente estudo neurocientífico mostra como os jovens são de fato multitarefas, conseguindo realizar várias coisas ao mesmo tempo, enquanto os mais velhos costumam se concentrar apenas em uma coisa de cada vez, o que seria devido à perda de atenção e de memória. Assim, pode-se dizer que a Geração Y, nascida e criada com os recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação, tem redobrados motivos para ter a inquietação que tem.

No que toca aos gestores, é importante mencionar que, diante dos jovens, muitas vezes se recusam a impor limites, reproduzindo o padrão que vivenciam com seus próprios filhos e no âmbito dos seus lares. Nesse sentido, o que conta mesmo é estabelecer limites claros, mostrando o que é possível (a liberdade) e o que não é (as regras, a hierarquia, os usos institucionais, etc.). O desafio é exatamente este: modernizar-se mantendo um padrão adequado a uma vida em equipe. Noutras palavras, encontrar uma compatibilidade entre o potencial dos jovens (criatividade, dinamismo, vivência tecnológica de ponta) e aquilo que só a maturidade pode conferir.

Os jovens, por sua vez, têm de demonstrar que o fato de ser Y não exclui o respeito pela experiência, pelo conhecimento, e a valorização das relações profissionais que só o mercado possibilita. Além disso, precisam ter resiliência e reconhecer como é importante saber negociar no âmbito do seu próprio aprendizado. Com isso, também deverão aprender a lidar com um importante inimigo íntimo — a frustração, que pode resultar da ansiedade, da pressa e da própria intolerância emocional. Aprender a lidar com frustração no dia-a-dia faz parte do processo de maturação de qualquer ser humano, em qualquer idade, já que vivemos em sociedade. Não seria diferente nas organizações.

Enfim, como em qualquer outro campo de conflitos, é preciso se observar que ambas as partes têm o que mudar para que sejam mutuamente vitoriosas. Dessa forma, ganham os jovens, ganham as empresas e os gestores. E, para isso, o bom- senso é o começo de uma mais saudável e produtiva convivência.

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