A internet e a queda das ditaduras:
após Tunísia e Egito que outras mais virão?

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Depois de 18 dias nas ruas, a população do Cairo derrubou a ditadura de 30 anos do presidente Hosni Mubarak. Isso aconteceu menos de um mês depois que movimento revolucionário semelhante, derrubou o ditador da Tunísia.

“Tem sido chamada de Revolução de Jasmim; todavia outros classificam-na de Revolução do Facebook, dos Twitters, do correio electrônico e dos blogs que durante semanas mobilizaram os protestos através da Tunísia contra o regime autocrático do presidente Ben Ali (…) esta foi a primeira revolução cibernética do mundo, no mundo da Internet na África.”

Paulo Oliveira, Voz da América, www.voanews.com

Um fato emblemático desta situação fortemente influencida pelas novas tecnologias, em especial pela tecnologia internet, foi a nomeação de um blogueiro tunisiano para um cargo semelhante ao de ministro de estado.

“Talvez a maior surpresa, especialmente para os internautas, tenha sido a nomeação de Slim Amamou – blogueiro, ciberativista e colaborador do Global Voices – como Secretário Nacional de Esportes e Juventude.”

pt.globalvoicesonline.org

As duas revoluções já passariam para a história pelo que conseguiram em termos de rapidez e de resultados. Com a contribuição da internet e das mídias sociais, então, se apresentam como pioneiras absolutas. Já estão sendo chamadas de “Revoluções 2.0”, preocupando os outros países árabes e até a China.

“Todas as pesquisas que contemplavam a palavra ‘Egito’ foram bloqueadas de portais chineses como o Sina.com e Sohu.com – sites comparáveis ao Twitter. Os resultados que continham o nome do país mostravam frases dizendo que os resultados não podiam ser encontrados ou não estavam de acordo com as regras. Segundo a Reuters, isso apenas demonstra a preocupação do governo chinês com a repercussão dos protestos no Oriente Médio.”

olhardigital.uol.com.br

Além da Tunísia e do Egito, parecem estar a perigo os governantes da Argélia, Marrocos, Líbia, Jordânia, Síria, Iêmen e até Berlusconi na Itália… Todos, nesse momento, com as barbas de molho. Sem falar do Irã que, não obstante ter “saudado” a revolução egípcia, reprimiu violentamente em 2009 manifestações populares contra a segunda eleição, ao que parece fraudada, do presidente Ahmadinejad, amplamente reportadas pela internet, inclusive com a morte de uma manifestante em Teerã divulgada em vídeo para o mundo pelo Twitter?

“Não há mais sombra de dúvida: o Oriente Médio está mudando de época. O que começou como uma revolta numa cidade do interior da Tunísia já se transformou num movimento revolucionário regional. (…) As reivindicações destas multidões, sem lideranças claras, composta sobretudo de jovens urbanos mais educados, são as mais básicas possíveis: oportunidades de emprego, liberdades individuais e de expressão, e o fim de regimes velhos, corruptos e autoritários.”

Alfredo Valladão, www.portugues.rfi.fr

É certo que a internet sozinha não derruba governos mas ajuda bastante a conseguir esse objetivo quando há uma vontade forte nesta direção como foram os casos da Tunísia e do Egito. A revolução que a internet vem protagonizando na sociedade e na economia chega agora com força na política. Aguardemos os próximos capítulos.

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