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Número 813 - 21 de fevereiro de 2011

Games de derrubar governos:
é hora de prestar muita atenção nas notícias






No mundo árabe e além, parece estar se iniciando uma nova era de influência da tecnologia (manejada por jovens) na política que derruba governos sem que se saiba ainda o que vem depois

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Mais rápido do que era possível antecipar há uma semana, o rastilho de pólvora da revolta popular avança célere pelos regimes fortes, para não dizer ditaduras, no mundo árabe (incluindo Líbia e Marrocos) e, até bem mais além, na China.

“Difícil saber até onde essa história vai. E pelo visto vai longe.”

Ricardo Amorim, economista, Manhattan Connection

O que há em comum em todos os casos é a participação dos jovens e o uso das novas mídias, entre elas, com destaque, a internet. Os jovens, pelo que dão conta as muitas notícias divulgadas sobre os tumultos, estão indo às ruas em busca de novas esperanças e novos horizontes econômicos que governos envelhecidos de décadas, têm dificuldade de lhes oferecer. E, ao contrário do que temem os analistas, não parece que o radiscalismo islâmico esteja sendo determinante.

“…a revolução nas comunicações da última década mudou a política. (…) Muitas sociedades islâmicas possuem populações jovens com acesso à nova tecnologia da informação e com uma visão de mundo mais global. Muitas possuem facções islâmicas moderadas e construtivas. E apesar de grupos radicais e fundamentalistas islâmicos obviamente existirem, eles frequentemente ganham força ao se transformarem em alvo dos regimes domésticos e por análises ocidentais ansiosas que os projetam como agentes centrais.”

Jonas Gahr Store, UOL/Mídia Global, Oslo

Na maioria dos lugares onde estão havendo as manifestações pro mudanças, a população jovem ultrapassa os 50% da população. Independente da classe de renda, pertencem à Geração Y que tem acesso às novas mídias desde cedo. Muitos foram criados jogando games e, com certeza, estão transplantando a experiência dos jogos para a a vida real, ajudando na derrubada de governos mas, ao que parece, sem a influência determinante do radicalismo.

“Eles se sentem inferiorizados em relação a seus pares no Ocidente, mas – nisso está a diferença – não acreditam que obedecer a um mulá e fazer determinados gestos ou balbuciar certas frases escritas há séculos vá levá-los a seu objetivo. (…) Diz o cientista político americano Paul Scham, da universidade de Maryland: ‘Os jovens podem até derrubar regimes e emplacar representantes no poder, mas em nenhum país do mundo haverá um governo de jovens.”

Duda Teixeira, Revista Veja, 23.02.11

E aí está uma incógnita desses novos movimentos: o que vai acontecer depois da derrubada dos ditadores? Na Tunísia o blogueiro virou ministro e no Egito o exército tomou conta da situação, dissolveu o parlamento e suspendeu a constituição. Não se sabe ainda se já religou a internet. O que vem depois?

“As ditaduras do passado e do presente sempre usaram a limitação das comunicações e a censura para manter a população sob controle. Hoje, qualquer adolescente ligado à grande rede pode fazer suas palavras ganharem o mundo em segundos, ignorando a vontade de quem está no poder.”

Bom Dia Brasil, Rede Globo, 03.02.11

A diferença está aí. Com as novas mídias, a internet e os jovens, os tempos são outros. Parece que está sendo testada uma espécie de game de derrubar governos autoritários e envelhecidos. O que vem depois é que não se sabe. Uma nova era de influência da tecnologia na política parece estar se iniciando agora sob os nossos olhos. É hora de ficar alerta e prestar muita atenção no que está acontecendo e nas notícias.

Número 812 - 14 de fevereiro de 2011

A internet e a queda das ditaduras:
após Tunísia e Egito que outras mais virão?






Depois das revoluções que veem protagonizando na sociedade e na economia, a internet e as novas mídias chegam agora às revoluções políticas abrindo um campo completamente novo de ação

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Depois de 18 dias nas ruas, a população do Cairo derrubou a ditadura de 30 anos do presidente Hosni Mubarak. Isso aconteceu menos de um mês depois que movimento revolucionário semelhante, derrubou o ditador da Tunísia.

“Tem sido chamada de Revolução de Jasmim; todavia outros classificam-na de Revolução do Facebook, dos Twitters, do correio electrônico e dos blogs que durante semanas mobilizaram os protestos através da Tunísia contra o regime autocrático do presidente Ben Ali (…) esta foi a primeira revolução cibernética do mundo, no mundo da Internet na África.”

Paulo Oliveira, Voz da América, www.voanews.com

Um fato emblemático desta situação fortemente influencida pelas novas tecnologias, em especial pela tecnologia internet, foi a nomeação de um blogueiro tunisiano para um cargo semelhante ao de ministro de estado.

“Talvez a maior surpresa, especialmente para os internautas, tenha sido a nomeação de Slim Amamou – blogueiro, ciberativista e colaborador do Global Voices – como Secretário Nacional de Esportes e Juventude.”

pt.globalvoicesonline.org

As duas revoluções já passariam para a história pelo que conseguiram em termos de rapidez e de resultados. Com a contribuição da internet e das mídias sociais, então, se apresentam como pioneiras absolutas. Já estão sendo chamadas de “Revoluções 2.0”, preocupando os outros países árabes e até a China.

“Todas as pesquisas que contemplavam a palavra ‘Egito’ foram bloqueadas de portais chineses como o Sina.com e Sohu.com – sites comparáveis ao Twitter. Os resultados que continham o nome do país mostravam frases dizendo que os resultados não podiam ser encontrados ou não estavam de acordo com as regras. Segundo a Reuters, isso apenas demonstra a preocupação do governo chinês com a repercussão dos protestos no Oriente Médio.”

olhardigital.uol.com.br

Além da Tunísia e do Egito, parecem estar a perigo os governantes da Argélia, Marrocos, Líbia, Jordânia, Síria, Iêmen e até Berlusconi na Itália… Todos, nesse momento, com as barbas de molho. Sem falar do Irã que, não obstante ter “saudado” a revolução egípcia, reprimiu violentamente em 2009 manifestações populares contra a segunda eleição, ao que parece fraudada, do presidente Ahmadinejad, amplamente reportadas pela internet, inclusive com a morte de uma manifestante em Teerã divulgada em vídeo para o mundo pelo Twitter?

“Não há mais sombra de dúvida: o Oriente Médio está mudando de época. O que começou como uma revolta numa cidade do interior da Tunísia já se transformou num movimento revolucionário regional. (…) As reivindicações destas multidões, sem lideranças claras, composta sobretudo de jovens urbanos mais educados, são as mais básicas possíveis: oportunidades de emprego, liberdades individuais e de expressão, e o fim de regimes velhos, corruptos e autoritários.”

Alfredo Valladão, www.portugues.rfi.fr

É certo que a internet sozinha não derruba governos mas ajuda bastante a conseguir esse objetivo quando há uma vontade forte nesta direção como foram os casos da Tunísia e do Egito. A revolução que a internet vem protagonizando na sociedade e na economia chega agora com força na política. Aguardemos os próximos capítulos.

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