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Lição da British Petroleum: onde estão os ??poços? que podem vazar?






A tragédia ambiental do Golfo alerta para os riscos que rondam as empresas e para a importância de procurar saber onde estão os “poços” que podem vazar e arriscar a sobrevivência

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Chega a ser inacreditável o que aconteceu no Golfo do México com o terrível vazamento do poço da British Petroleum, a terceira maior companhia petrolífera do mundo, a segunda privada, atrás apenas da Exxon. As estimativas dão conta de que já foram lançados ao mar mais de 100 milhões de barris de petróleo, naquele que já está sacramentado como o pior desastre ambiental da história dos EUA. É difícil entender como uma empresa que perfurou milhares de poço ao longo de sua história esteja correndo o risco de desaparecer por conta de apenas um deles.

“A BP, no momento, não luta apenas para conter seu vazamento no Golfo do México e reparar o colossal desastre ecológico que provocou; também luta, simplesmente, pela própria sobrevivência.”
J. R. Guzzo, revista Exame, 16.06.10

Desde que o desastre se iniciou, a BP já perdeu 35% do seu valor de mercado pela queda do preço das ações em bolsa. As estimativas são de que a empresa já gastou US$ 1 bilhão de um prejuízo que pode chegar a pelo menos US$ 23 bilhões. Sem que ninguém saiba quando o vazamento vai parar… Não há empresa no mundo que suporte um desaforo desse tamanho. E como se não bastassem os danos financeiros, as perdas de imagem são de dificílima recuperação.

“A BP enfrenta uma das piores situações que uma empresa pode encarar. Há semanas, sua operação no Golfo do México não para de sangrar petróleo. As imagens apocalípticas de praias imundas e animais encharcados de óleo, num momento em que a consciência ambiental nunca foi tão grande, são de fato destrutivas (…) a própria BP alegou, depois de algum tempo, que não estava preparada para enfrentar um desastre de tamanha proporção. A conseqüência disso é que, dia após dia, sua imagem corporativa é corroída, numa corrente que vai da mídia tradicional a redes sociais.”

João Werner Grando, revista Exame 16.06.10

E para piorar a história, a BP foi uma das primeiras companhias de petróleo do mundo a investir na construção de uma imagem que se pretendia correta do ponto de vista ambiental. Nesta linha passou a se identificar como uma empresa de energia e não de petróleo. Adotou o slogan Beyond Petroleum (além do petróleo), tentando dar outra conotação às iniciais BP. A própria logomarca da empresa foi mudada para um girassol amarelo e verde… Agora, a cobrança vem a galope como expressa a opinião do vice-presidente da consultoria Davis Brand Capital.

“A BP está pagando o preço por ter criado uma aura verde que nunca passou de balela. Somente 1% da receita da empresa vem de energia limpa. Não há nada de Beyond Petroleum nisso.”

Bryan K. Oekel, revista Exame, 16.06.10

Se não quebrar ou for adquirida por outra do setor a “preço de banana”, a BP sobreviverá completamente arranhada e num tamanho bem menor.

“Há, também, a possibilidade de que a BP só consiga sobreviver como uma empresa menor, caso se veja obrigada a vender parte de suas operações para fazer caixa.”

J. R. Guzzo, revista Exame, 16.06.10

Ou seja, praticamente de um dia para o outro, uma das maiores empresas do mundo, com um faturamento anual na casa dos US$ 250 bilhões, se vê metida numa enrascada que pode lhe custar a vida. O vazamento de um poço se transforma numa catástrofe ambiental, num prejuízo financeiro monumental e num dano de imagem irreparável. Uma lição preciosa para empresas de todos os tipos e tamanhos que devem se fazer a pergunta: onde estão os “poços” que, se vazarem, podem comprometer minha sobrevivência?


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Arrecadação recorde e o direito de ter destacado o imposto pago na nota fiscal






O atingimento de meio trilhão de reais de arrecadação projeta um recorde em 2010 e chama a atenção para a necessidade de se deixar claro na nota fiscal quanto pagamos de impostos

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]Na quarta-feira da semana passada (02.06.10) o “impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo ultrapassou a marca de R$ 500.000.000,00 de impostos arrecadados no Brasil em 2010, 22 dias antes do que no ano passado. Isso projeta uma arrecadação de R$ 1,24 trilhão, 13% superior à de 2010 e representando 36% do PIB. Mais um recorde que o presidente Lula logo se apressou a defender.

“Tem gente que diz: ‘No meu país a carga tributária é de 9%, 10% (do PIB)’. Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. Os países que têm carga tributária baixa não têm condições de fazer absolutamente nada de política social. Está cheio de exemplos aí para a gente ver: os Estados que têm as melhores políticas sociais têm a carga tributária mais elevada. Os Estados Unidos, a Alemanha, a França, a Suécia, a Dinamarca.”

Presidente Lula

Como não é raro acontecer com os discursos presidenciais, também aqui são necessários reparos. O primeiro é que não existe país com carga tributária de 10%. O segundo é que a carga tributária norte-americana está em torno de 28% do PIB. O terceiro e mais importante é que nos demais países com a carga tributária semelhante à brasileira, os serviços próprios do Estado (saúde, educação, segurança) e os investimentos em infraestrutura estatais são infinitamente superiores aos brasileiros. Donde a irônica comparação do economista Delfim Netto.

“Por isso, costumo dizer que nós vivemos na Ingana: um país que cobra impostos como a Inglaterra e oferece serviços de Gana.”

Antônio Delfim Netto 

Segundo o economista Paulo Rabello de Castro, a estrutura tributária brasileira é injusta, ineficiente, maliciosa e incompetente, exemplificando que um trabalhador que ganha até dois salários mínimos, entrega à União, aos Estados e aos municípios 40% ou mais de seu ganha-pão, em comparação a pouco mais de 10% de um cidadão no topo da pirâmide de renda.

“A ineficiência na arrecadação e a complexidade do sistema são um peso morto que rouba tempo e dinheiro do contribuinte sem levar vantagem para o poder público. Somos o campeão mundial em horas trabalhadas pagando impostos e temos o sistema mais distorcido do mundo. Nossos brilhantes legisladores foram empilhando siglas novas de tributos, de suposta vocação social, além das tradicionais (renda, consumo e propriedade). Há IOF, Cide, Cofins, PIS, ICMS, ISS, e IPI e outras, que poderiam ser aglutinadas num único tributo do tipo IVA (imposto sobre valor agregado), a ser repartido para os três níveis de governo (…) os impostos são escondidos nos preços do que se compra (…) A maioria dos cidadãos das classes C, D e E pensa que não paga nada de impostos e ganha bolsas, subsídios e aposentadorias ‘de graça’ dos políticos.”

Paulo Rabello de Castro, Exame, 07.06.10

Um passo muito importante para ampliar a consciência da população sobre os impostos que paga embutidos nos preços dos produtos, é discriminar, destacando em cada nota fiscal, o valor do tributo  separado do preço, como acontece, por exemplo, nos EUA.

“Se houvesse algo semelhante no Brasil, o consumidor saberia que paga impostos até sobre itens básicos de alimentação. No arroz e feijão, são 15,3%; na carne bovina, 17,5%; no café, 20%; e na manteiga, 36%.”

José Fucs, Época, 07.06.10

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