Governança Corporativa:um conceito essencial que veio para ficar

 
Nos últimos anos, um conceito vem ganhando corpo quando se trata da macro-gestão das empresas e organizações: Governança Corporativa.

“Governança corporativa é o conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, tais como investidores, empregados e credores, facilitando o acesso ao capital. A análise das práticas de governança corporativa aplicada ao mercado de capitais envolve principalmente: transparência, eqüidade de tratamento dos acionistas e prestação de contas.”

CVM – Comissão de Valores Mobiliários

Originário da Inglaterra e do EUA, o conceito se espalhou por muitos outros países. Organizações multilaterais como a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Banco Mundial e o FMI o têm utilizado como referência para a recuperação dos mercados mundiais de capital, abalados pelas recentes crises de confiança. No Brasil, a aplicação tem se dado, sobretudo, nas sociedades de capital aberto.

“O modelo empresarial brasileiro encontra-se num momento de transição. De oligopólios, empresas de controle e administração exclusivamente familiar, com controle acionário definido e altamente concentrado, acionistas minoritários passivos e Conselhos de Administração sem poder de decisão, caminhamos para uma nova estrutura de empresa, marcada pela participação de investidores institucionais, fragmentação do controle acionário e pelo foco na eficiência econômica e transparência de gestão.”

IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

Seja nas sociedades de capital aberto, seja naquelas que pretendem abrir o capital, o que os investidores atuais ou potenciais observam são o que o presidente da Think Equit, corretora especializada em tecnologia com sede em San Francisco na Califórnia, chamou, no último programa Mundo S/A da GloboNews, de “4Ps”.

“O que os investidores procuram são empresas que tenham o que chamo de 4 P: Pessoas competentes — com quem se possa formar uma boa equipe. O segundo P: Produtos que tornem a empresa especial, diferente, capaz de liderar no setor. O terceiro P: Potencial, possibilidade de crescer no mercado. E o quarto P: Previsibilidade — um nível de crescimento que se possa visualizar.”

Michael Moe, presidente da Think Equit

É, justamente, ao quarto “P” (Previsibilidade) que diz respeito a Governança Corporativa. Ou seja, transparência e profissionalização da gestão com: (1) processos decisórios regulados pelo funcionamento efetivo de conselhos de administração e/ou consultivos; (2) utilização de práticas contábeis comumente aceitas; (3) responsabilidade social e ambiental explícitas e efetivas.
São conceitos e valores que vieram para ficar, não só em relação às empresas de capital aberto, de onde se originou, como para toda a sociedade, envolvendo os diretamente interessados nas empresas (clientes, acionistas, funcionários) mas também o primeiro (poder público) e o terceiro (ONGs) setores. Por sua importância, o tema será tratado em outros números do Gestão Hoje.