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Número 745 - 25 de maio de 2009

Os executivos de sucesso trabalham
em média 12 horas por dia e ainda em casa

Segundo a publicação do jornal Valor Econômico, os 24 executivos mais conceituados, um de cada segmento importante da economia brasileira, trabalham em média três expedientes por dia

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Em meio à crise que afeta de forma desigual as empresas e os setores, uma publicação recém-divulgada traz algumas informações sobre as quais vale a pena comentar. A publicação é “Executivo de Valor”, maio/2009, do jornal Valor Econômico. Nela são relacionados os executivos considerados mais competentes de cada setor da economia brasileira, escolhidos por um júri formado por representantes de dez das mais conceituadas empresas de seleção de profissionais de alto escalão. Foram escolhidos 24 executivos com características distintas mas, com certeza, alguns pontos comuns como os apontados pelo presidente da Mesa Corporate Governance, Herbert Steinberg, em artigo na publicação.

“Equilíbrio, prudência, transparência. Liderar na crise exige uma combinação de talentos jamais exigida, uma capacidade de superar-se mais e mais. A realidade atual é essa e não deve mudar tão cedo. A vida do CEO, hoje, é uma somatória de vetores que vão desde atender as expectativas dos acionistas, da família controladora, dos fornecedores, dos funcionários, até a capacidade de saber em detalhes o que acontece nos bastidores da empresa e onde apostar as fichas para garantir um bom futuro.”

Herbert Steinberg, Executivo de Valor, ano 9, número 9

Outra característica que chama a atenção e merece destaque é a quantidade média de horas trabalhadas pelos executivos de valor: 12 horas ou, mais precisamente 11,78 horas por dia. Ou seja, três expedientes, em vez dos dois convencionais.

“11 horas na Cosan e o tempo todo em casa.”

Rubens Ometto

Rubens Ometto, 59 anos, é o controlador da Cosan, maior produtor de açúcar e álcool do país, com 23 usinas na sua estrutura e capacidade para moer 60 milhões de toneladas de cana. A Cosan deve faturar, na safra 2008/2009, R$ 4 bilhões, sem contar a receita da rede de distribuição de combustíveis que a empresa adquiriu da Esso. Sua frase chama a atenção para um fato importante: além do expediente no trabalho, ainda há aquele complementar em casa. A respeito disso, vale a pena reproduzir o que diz Paulo Ferraz da Cia. Bozano, antigo Banco Bozano, Simonsen.

“Só cresce de verdade quem trabalha muito. (…) Dá para trabalhar 100 horas por dia e ter uma vida pessoal saudável. O problema é que as pessoas confundem qualidade do lazer com quantidade de horas de lazer. O que é preciso é estar satisfeito com o que se faz. (…) Eu trabalho muito e descanso muito. Sempre tiro 30 dias de férias de uma vez e exijo que aqueles que trabalham comigo façam o mesmo. Às vezes levo trabalho para casa. Mas não considero que ler um livro de negócios seja trabalho. Para mim é lazer porque gosto de aprender.”

Paulo Ferraz, 54 anos, presidente da Cia. Bozano

Pelo exposto, algumas conclusões, portanto, podem ser tiradas. A primeira delas é que os executivos de valor trabalham todos mais do que os dois expedientes convencionais, em média três, mas, alguns, quase quatro. A segunda é que o principal não é propriamente a quantidade de horas que conta mas a qualidade delas. A terceira poderia ser a de que sucesso profissional exige dedicação e dedicação exige tempo não convencional, sempre, claro, com o cuidado de não transformar a intensidade em martírio e cuidar bem do lazer para equilibrar e não ficar refém do estresse.

Número 744 - 18 de maio de 2009

Mais um símbolo para saída da crise:
que tal “raiz quadrada de ponta-cabeça”?

Agora, depois da “sopa de letras” V, U, L e W, surge mais um símbolo para caracterizar a trajetória da economia após a chegada e a saída do “fundo do poço” nos EUA

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Nas últimas semanas, junto com alguns números bem ruins sobre os efeitos estatísticos da crise financeira internacional, começam a aparecer notícias positivas como, por exemplo, lucros dos bancos norte-americanos e a recuperação das bolsas de valores. A pergunta que todos começam a fazer é se o pior da crise que começou nos EUA já passou e se os sinais positivos seriam indícios do início da recuperação. Há muitas opiniões entre os analistas. Um bloco acha que o pior já passou outro que não. No excelente programa Globo News Painel do fim de semana passado, foi manifestada uma opinião que merece ser reproduzida.

“O ritmo de piora diminuiu muito mas o fundo do poço ainda não passou. O que passou foi o pânico.”

Simão Silber, economista da USP

Também na semana passada, a revista Exame promoveu, em São Paulo, o Fórum “A Crise Global e as Alternativas para a Reconstrução da Economia”, com a participação dos prêmios Nobel Edward Prescott, Joseph Stiglitz e Robert Mundell. Falou-se de tudo e até um novo sinal para designar a retomada foi incorporado à galeria de letras (V, U, L, W) (ver a propósito GH/737) por Joseph Stiglitz.

“Para Stiglitz, a trajetória da crise não seguirá o desenho usual dos teóricos, como um ‘V’ ou um ‘U’, isto é, um momento de forte queda, seguido por uma fase no fundo do poço, e uma retomada rápida. Para o ganhador do Nobel de 2001, o caminho da crise será mais parecido com uma ‘raiz quadrada de ponta-cabeça’. Para o economista, haverá uma fase de recuperação e, após um pico, um certo recuo, até que o mundo se estabilize em um novo patamar. ‘É muito difícil ter certeza, mas é possível que continuemos sentindo esse mal estar, essa recuperação lenta’, disse.”

Portal Exame, 11.05.09

Apesar dos otimistas de plantão (e os há, tanto quanto os pessimistas), as análises mais pé no chão induzem a acreditar que a recuperação virá, sim, mas será lenta e, sobretudo, dadas as dificuldades estruturais consolidadas pela eclosão da crise, em um patamar bem inferior ao verificado nos últimos cinco anos de crescimento vigoroso da economia mundial, conforme alerta o economista professor da Universidade de Berkeley, Califórnia.

“Mesmo se a economia norte-americana retomar seu ritmo em alguns meses, o crescimento subseqüente será pífio. Os bancos não vão retomar os empréstimos do dia para a noite; as famílias só vão voltar a comprar quando seus fundos de aposentadoria forem recompostos; e a combinação atual de política fiscal frouxa com uma política monetária cada vez mais rígida vai produzir, no futuro, um ambiente ruim para os investimentos.”

Barry Eichengreen, Folha de S. Paulo, 10.05.09

É preciso não esquecer que o estrago feito no setor financeiro, com reflexos muito importantes para a economia real, foi muito grande. Vários analistas comparam a situação atual dos EUA à do Japão na década de 90. Foram dez anos de crescimento “pífio” porque, depois de uma crise provocada por uma bolha imobiliária, o governo não fez os ajustes necessários nos bancos como, dizem, Obama também não está fazendo agora. O certo é que essa crise ainda vai dar muito o que pensar e falar.

Número 743 - 11 de maio de 2009

Por que a OMS tem tanto medo
de uma pandemia do vírus Influenza?

O vírus Influenza recombina-se com muita facilidade e pode desenvolver uma nova cepa de alta letalidade levando à morte milhões de pessoas em curto espaço de tempo

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Ao mesmo tempo em que instalou-se um certo alívio pelos efeitos aparentemente menos danosos do que os inicialmente suspeitados da Gripe Suína, mais casos têm sido notificados ao redor do mundo. Os números do final de semana apontam 4.379 casos em 29 países, sendo 8 no Brasil. Nos EUA são 2.532 casos com 3 mortes e China anunciou o seu primeiro caso, numa prova de que essa gripe não respeita fronteiras.

“A espécie humana constitui um paraíso viral, com sua propensão para aglomerar-se em espaços fechados e deslocar-se a jato de um continente para outro. Ao alcançar novos países e populações, a variedade pandêmica do influenza entra em contato com outras cepas, criando novas oportunidades de recombinação genética.”

Marcelo Leite, colunista, Folha de S. Paulo, 01.05.09

Num mundo completamente conectado pela circulação de pessoas, o vírus Influenza A que é um organismo muito simples e é capaz de infectar aves, porcos e humanos, está em permanente mutação, pulando de hospedeiro em hospedeiro e se recombinando continuamente. De vez em quando, surge uma variação para a qual o organismo humano não tem anticorpos como foi o caso da Gripe Espanhola em 1918, da atual Gripe Suína com o mesmo subtipo H1N1, e da Gripe Aviária provocada pelo vírus H5N1 que, felizmente, só é transmitida pelo contato com aves e até agora já provocou 420 casos com 260 mortes, um altíssimo índice de mortalidade. O grande temor da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que o H5N1 sofra uma mutação capaz de provocar a transmissão entre humanos como ocorreu com a Gripe Suína. Na Espanhola, até um presidente morreu no Brasil.

“No Brasil teriam sido 300 mil mortes. Na cidade de São Paulo morreram 14 mil pessoas, inclusive o ex-presidente Rodrigues Alves, que governou o país entre 1902 e 1906. Em 1918, foi eleito para um outro mandato. Morreu antes da posse.”

Peter Moon, repórter especial, Época, 04.05.09

No caso da nova variação do vírus, como a letalidade se mostrou aparentemente menor do que a inicialmente suspeitada, já começam a acontecer coisas inusitadas. Nos EUA, espalham-se pela internet chamadas para “festas de Gripe Suína” (swine flu party), inspiradas nas “festas da catapora” comuns até os anos 70, com o tresloucado objetivo de os participantes desenvolverem imunidade natural ao vírus e, assim, prepararem-se para uma eventual segunda onda do surto no próximo inverno (época propícia para a incidência de gripe) do Hemisfério Norte.

“Enquanto a doença é leve em muitas pessoas, tem sido severa e até fatal para outras. Não há como prever o resultado para um indivíduo ou para pessoas a quem esse indivíduo que se contaminou de propósito poderá transmitir o vírus.”

Centro de Controle de Doenças dos EUA

No caso do Hemisfério Sul, cujo inverno está começando, a OMS alerta para o risco de sua propagação sem controle. Desnutrição, guerras, HIV, sistemas de saúde precários, são fatores que tornam as populações do sul mais vulneráveis.

“O que pode ser um vírus suave para países ricos pode ser bem mais severo para os pobres.”

Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS

A moral da história é que com o vírus Influenza não se brinca. É melhor exagerar na prevenção do que facilitar na instalação de uma pandemia sem controle.

Número 742 - 04 de maio de 2009

Os 100 primeiros dias de Obama e
a ameaça de uma pandemia da Gripe Suína

Enquanto o novo presidente dos EUA é bem avaliado pela população em seu início de governo, soa no México o alarme de uma epidemia mundial do vírus Influenza do tipo da Gripe Espanhola

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Na quarta-feira, 29.04.09, o presidente Barack Obama completou 100 dias de governo com a aprovação de 63% dos norte-americanos. Algo surpreendente para quem assumiu a presidência com tantos problemas acumulados, a maioria deles em decorrência da desastrosa administração do seu antecessor.

“O presidente Obama assumiu em condições particularmente adversas, com duas guerras malparadas (no Iraque e no Afeganistão) e com a maior crise financeira desde os anos 30. Nenhum chefe de Estado americano começou com problemas tão complicados.”

Celso Ming, jornalista, O Estado de S. Paulo, 29.04.09

Os analistas reconhecem que apesar das grandes dificuldades encontradas, Obama conseguiu se desempenhar bem, em especial no que diz respeito à atuação política. Começou mandando uma proposta orçamentária ousada que consubstancia suas promessas de campanha em relação à saúde pública, ao apoio aos mais pobres e às mudanças na área de energia. No plano internacional, já teve uma atuação completamente diferente e bem mais promissora do que a da administração passada. No que diz respeito à contenção da crise, no entanto, sua atuação é, não só considerada tímida como, ainda, capaz de trazer problemas inflacionários e, consequentemente, aumento expressivos dos juros, além de instabilidade à economia, num futuro não muito distante.

“É certo que na resposta à crise o governo Obama se mostrou mais tímido do que na cena política. (…) o preço [do financiamento dos rombos financeiros dos bancos sem contrapartida] será um horizonte inflacionário, uma puxada na taxa de juros para evitar o desmoronamento do dólar e um stop and go da economia que cresce um trimestre, outro patina.”

Fernando Henrique Cardoso, O Globo, 03.05.09

Como se não bastassem os problemas complicadíssimos decorrentes da crise econômica já instalada, surge agora no México uma séria ameaça de pandemia (epidemia mundial) de gripe, impropriamente chamada de “suína” mas capaz de provocar danos potencialmente gravíssimos danos à saúde das populações e, também, prejuízos econômicos severos como já ocorre no próprio México cuja economia praticamente parou depois de confirmado o surto.

“Estudos do Banco Mundial mostram que um surto global do vírus poderia custar ao mundo US$ 3 trilhões em programas de saúde e prejuízos pela paralisação dos negócios. A crise econômica está custando, até agora, cerca de US$ 4 trilhões.”

Peter Moon, repórter especial, Época, 04.05.09

Provocada pelo vírus Influenza tipo A, subtipo H1N1, da mesma família da Gripe Espanhola que em 1918 infectou 20% da humanidade, matou um em cada 20 doentes e dizimou mais de 40 milhões de pessoas (motivo pelo qual o alarme da Organização Mundial de Saúde soou de forma tão estridente), a chamada Gripe Suína, depois do medo inicial, parece estar se configurando apenas num tipo de gripe um pouco mais forte. Vamos torcer para que seja somente isso mesmo.

“Tudo leva crer que a gripe suína é como uma gripe comum, apenas com sintomas um pouco mais fortes. É um vírus novo, que se transmite entre seres humanos, mas o mundo está preparado para enfrentá-la.”

Carlos Magno Fortaleza, infectologista, FSP, 01.05.09

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