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Número 711 - 29 de setembro de 2008

Reflexos da crise externa no Brasil:
está na hora de colocar as barbas de molho

Espantados com o tamanho da crise do mercado financeiro iniciada nos EUA, os analistas já começam a rever para baixo as perspectivas de crescimento do Brasil no próximo ano

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Enquanto o pacote de socorro de US$ 700 bilhões proposto pelo Tesouro para salvar o mercado financeiro norte-americano embola-se na lógica da eleição presidencial dos EUA, todos continuam espantados com as dimensões da crise, como verbaliza o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“…uma tempestade financeira de proporções históricas. As últimas semanas incluíram momentos e acontecimentos quase inimagináveis no setor financeiro. Diante de nossos olhos, placas tectônicas financeiras se moveram, apagando uma forma institucional — o banco de investimento grande e independente.”

John Lipsky, vice-diretor-gerente do FMI

De fato, os cinco grandes bancos de investimentos dos EUA, verdadeiros ícones de Wall Street, instituições centenárias que sobreviveram à crise de 1929, desapareceram. Em março, o insolvente Bear Stearms, com ajuda do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), foi adquirido pelo JPMorgan. No fatídico dia 14 de setembro, o Lehman Brothers pediu concordata e o Merrill Lynch foi vendido às pressas para o Bank of America. Na semana passada, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs se transformaram em bancos comerciais para escapar da corrida aos seus ativos e se habilitarem às linhas de socorro do Fed. Todo esse impressionante movimento já levou até à previsão do “fim” de Wall Street.

“Tornou-se quase lugar-comum dizer que a crise matou Wall Street, a ruazinha que abriga a Bolsa de Nova York e, por isso, se tornou sinônimo de mercados financeiros. No mínimo morreu a Wall Street tal como conhecida nos últimos 75 anos, desde que, em 1933, os bancos comerciais foram separados das empresas financeiras.”

Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo, 27.09.08

Além dos bancos de investimentos, outros importantes, ligados ao setor de hipotecas, estão sendo tragados pela crise tanto nos EUA quanto na Europa. No Brasil, as autoridades do governo, inclusive o próprio presidente Lula, depois de um primeiro momento tentando passar a imagem de que o país estava “blindado”, começam a mudar de discurso.

“O impacto da crise é muito forte e não há país que fique isento de algum problema.”

Guido Mantega, ministro da Fazenda, 26.09.08

É verdade que, diferentemente das crises anteriores, o Brasil se encontra em muito melhores condições macroeconômicas, como destaca o conceituado economista Luciano Coutinho.

“Temos US$ 200 bilhões de reservas internacionais, aumentamos o superávit primário, o país já é grau de investimento e apresenta uma velocidade importante de expansão para os investimentos, quase duas vezes e meia superior ao ritmo do crescimento.”

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, 27.09.08

Todavia, apesar desta muito melhor situação, a prudência manda seguir o preceito popular de “colocar as barbas de molho quando se vê as do vizinho arder”. E está ardendo muito. Os analistas já começam a dar por certo que haverá queda do crescimento em 2009. Dos projetados mais de 5%, já se dá como lucro se o crescimento for de 3% do PIB. Vamos continuar acompanhando os acontecimentos.

Número 710 - 22 de setembro de 2008

A semana em que a economia mundial
balançou perigosamente à beira do abismo

O sistema financeiro norte-americano quase entra em colapso na semana passada, ameaçando levar muita gente de roldão, e foi salvo pela forte intervenção do governo dos EUA

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Dizem os teóricos e os que acumulam experiência prática que as crises são próprias do regime capitalista. A história econômica mostra essa característica à exaustão. Na semana que passou tivemos o “privilégio” de verificar isso em escala mundial e numa dimensão que impressionou até os mais experientes, como foi o caso do empresário Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria e espectador privilegiado de todas as crises econômicas desde a década de 1970.

“Nesses volumes, essa crise é inédita.”

Nathan Blanche, Folha de S. Paulo, 19.09.08

De fato, as dimensões e os volumes envolvidos são desconcertantes. Depois do estouro da bolha das chamadas hipotecas subprime, em agosto de 2007, a economia norte-americana vinha emitindo sinais preocupantes de que alguma coisa não andava bem com o seu sistema financeiro. Primeiro o balanço dos bancos começaram a apresentar prejuízos, depois vieram as vendas de ativos, até que em 7 de setembro, as duas gigantes do setor de hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, foram encampadas pelo Tesouro dos EUA a um custo estimado de US$ 200 bilhões. Os analistas ainda estavam digerindo a incorporação quando a semana passada abriu com a notícia de que o Lehman Brothers, um dos cinco maiores bancos de investimento norte-americanos com ativos de US$ 600 bilhões, sem apoio do governo, protagonizava a maior concordata da história dos EUA. No dia seguinte, o Tesouro novamente volta à carga salvando a maior seguradora do mundo, a AIG, com a compra de 80% dos seus ativos ao preço de US$ 85 bilhões. O mercado foi à loucura, com as bolsas de valores ao redor do mundo, inclusive a brasileira, experimentando as maiores quedas das últimas décadas.

“Nessa situação caótica, houve uma decisão fatídica: a de permitir a quebra do Lehman Brothers. (…) a intenção oficial era emitir um sinal de disciplina para os mercados e deixar claro que havia limites para o uso do dinheiro público no socorro às instituições financeiras (…) foi uma temeridade. A intenção das autoridades americanas acabou completamente soterrada pela violenta reação dos mercados. (…) Tiveram que voltar atrás em menos de 48 horas e assumir o controle da AIG.”

Paulo Nogueira Batista Jr., O Globo, 20.09.08

Com esse movimento hesitante, disseminou-se a impressão de que as autoridades não estavam sabendo o que faziam. Mesmo depois da intervenção na AIG, e dos bancos centrais despejarem no mercado centenas de bilhões de dólares para garantir a liquidez do sistema financeiro, a tempestade continuou com uma força impressionante. Só a bolsa da Rússia teve o seu pregão interrompido por dois dias consecutivos devido a quedas recordes. O crédito entre instituições financeiras simplesmente paralisou e houve uma debandada recorde de recursos para os títulos do Tesouro dos EUA (em tese, o refúgio financeiro mais seguro e, por isso mesmo, o menos rentável do mundo) que passou a dar rendimento real negativo. O movimento alucinado só estancou quando, no final da semana, o governo norte-americano veio a público informar que iria criar uma agência para retirar os títulos podres do mercado a um custo estimado de US$ 700 bilhões. Aí, a gangorra do desespero virou e na sexta-feira as bolsas bateram novos recordes positivos ao redor do mundo. A da Rússia teve que novamente interromper o seu pregão porque, dessa vez, se valorizou demais… O que vai acontecer, só os próximos dias dirão, mas uma coisa parece certa: pelo menos por um bom tempo a farra das finanças globais sem regulação acabou.

“O que se tirou foi o pânico mas a má situação continua. O dinheiro vai ficar mais caro e mais escasso.”

José Roberto Mendonça de Barros, CBN, 22.09.08

Número 709 - 15 de setembro de 2008

Multiplicando por cinco as reservas,
o petróleo do pré-sal abre a eleição de 2010

A descoberta de reservas gigantescas de petróleo na chamada camada pré-sal abriu o debate sobre o que deve ser feito com esses recursos, já um mote de peso da próxima campanha presidencial

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Na semana passada a Petrobras anunciou, após a conclusão dos trabalhos de perfuração do poço de Iara na camada pré-sal, a descoberta de um volume recuperável de petróleo e gás de cerca de 4 bilhões de barris. Só essa descoberta representa, sozinha, um acréscimo de 30% nas reservas atualmente comprovadas de petróleo no Brasil (14 bilhões de barris). A camada pré-sal é a nova vedete do petróleo no país e, até, no mundo.

“A chamada camada pré-sal é uma faixa que se estende por cerca de 800 quilômetros, abaixo do leito do mar, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.”

Folha On Line, 02.09.08

As estimativas mais conservadoras dão conta de que a reserva total da camada pré-sal será capaz de quadruplicar o estoque comprovado de petróleo. As mais otimistas falam de 100 bilhões de barris, capazes de multiplicar por sete as reservas brasileiras, o que colocaria o país entre os dez maiores produtores do mundo (alguns falam em sexto lugar). Uma média entre as estimativas pessimistas e as otimistas dá uma multiplicação entre cinco a seis vezes as reservas de petróleo do país, o que não é de modo algum desprezível. O próprio presidente Lula apressou-se na apropriação da descoberta.

“Uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza. Os recursos das jazidas do pré-sal serão canalizados, prioritariamente, para a educação e a erradicação da pobreza. Vamos aproveitar esta grande quantidade de recursos para pagar a imensa dívida que o nosso país tem com a educação.”

Luiz Inácio Lula da Silva, 07.09.08

Logo abriu-se a discussão sobre quem é “dono” do petróleo descoberto, qual será o modelo de exploração e como deve ser usada a riqueza que vai gerar. O debate, como não podia deixar de ser no Brasil, ideologizou-se e apareceram opiniões de todos os tipos. Desde criar uma nova estatal (apelidada de “petrossal”), passando pela criação de um fundo soberano com a receita gerada, até não mexer em nada para que se valorize e a extração se dê com um preço do petróleo bem mais alto que o atual.

“Existem vários interesses públicos e privados envolvidos nessa questão. A Petrobras é uma empresa que tem controle governamental, mas tem acionistas privados, que têm que ser respeitados. Ao mesmo tempo, o aproveitamento dessas riquezas é questão de Estado brasileiro.”

Guilherme Estrela, diretor de exploração da Petrobras

Sim, várias questões precisam ser consideradas e os interesses são enormes, inclusive os eleitorais. Petróleo é um assunto político desde Getúlio Vargas com “O Petróleo é Nosso”. Muita discussão ainda vai rolar e criou-se um prato cheio para a próxima campanha presidencial.

“Acreditar que o óleo está na mão é como acreditar que o Brasil é auto-suficiente em petróleo, mesmo com um déficit de US$ 5,5 bilhões neste ano na conta de óleo e combustíveis. A auto-suficiência foi tema da campanha de 2002. O pré-sal já é de 2010.”

Carlos Alberto Sardenberg, Portal G1

Número 708 - 08 de setembro de 2008

A composição da chapa de McCain
e o aumento da idade média nas empresas

A composição das chapas norte-americanas evidenciam na política dos EUA o fenômeno da “mesclagem” etária para compensar o efeito do aumento da idade dos executivos nas empresas

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Ao aceitar a indicação do Partido Republicano, na convenção realizada semana passada em Minneapolis, Minnesota, para concorrer à presidência dos EUA, o senador John McCain tornou-se, aos 72 anos, o candidato oficial de idade mais avançada da história do país. Nesta condição, será adversário do candidato Democrata, seu colega de Senado, Barack Obama, 47 anos. Para compensar, numa tentativa de “balancear” a chapa republicana, foi indicada como candidata a vice-presidente a governadora do Alasca, Sarah Palin, de 44 anos. Para a chapa de Obama já havia sido indicado o também senador Joe Biden, 65 anos. As opiniões se dividem sobre o acerto das escolhas.

“Em matéria de vice, sem a menor dúvida a escolha de Obama — senador Joe Biden — foi muito mais sensata do que a de McCain. O perfil conservador de Biden soma para um candidato que ainda assusta com a palavra change (mudança). Uma vice de 44 anos, com apenas dois anos de experiência política e administrativa significativa, aumenta ainda mais a insegurança transmitida por um candidato à presidência de 72 anos.”

Diário da Manhã, Goiânia

Independentemente das opiniões e do eventual sucesso das estratégias de composição das chapas (a de McCain aparenta ter sido mais eficaz, pelo menos no curto prazo, a julgar pelo reflexo no resultado das pesquisas mais recentes de opinião), uma coisa parece óbvia: houve uma intenção deliberada de equilibrar a média das idades das chapas (58 x 56 anos). Todavia, a diferença de idade dos titulares continua, com uma peculiaridade em relação a McCain.

“Se hoje os 60 anos de idade são os novos 40, então os 80 são os novos 60.”

Tom Lowry, Business Week, Valor, 03.09.08

Esse fenômeno não acontece só na política. Nas organizações de um modo geral, e nas empresas em particular, ele se repete. Embora não pareça, existe um novo fenômeno despontando que é a mesclagem de idades e experiências diferentes na gestão das empresas. Mesmo empresas que se caracterizam pela juventude de seus criadores e pela novidade de seus objetos de atuação como é o caso do Yahoo! e do Google, por exemplo, logo buscam ajuda de veteranos para o exercício da gestão.

“Os fundadores do Google Larry Page e Sergey Brin foram buscar Eric Schmidt (54 anos) na Novell, onde liderava o planejamento estratégico, a administração e o desenvolvimento tecnológico dessa empresa como administrador e CEO. Desde que chegou ao Google, Schmidt concentrou-se em montar a infra-estrutura necessária para manter o rápido crescimento do Google como empresa, e em certificar-se de que a qualidade se mantém elevada, enquanto os tempos de desenvolvimento de produto se mantêm mínimos.”

Página Institucional do Google

O fenômeno mundial do aumento da expectativa de vida (no Brasil ela passou de 34 anos no início do Século 20 para 68, no final, e continua aumentando) tem trazido essa nova realidade para o mundo do trabalho. Levantamento feito pela Business Week, encontrou 25 executivos acima de 80 anos no comando de empresas de destaque ao redor do mundo. No topo da lista, com 100 anos, o chinês Run Run Shaw, fundador e chairman da Television Broadcasts. No Brasil, a própria regra vigente de aposentadoria compulsória no setor público aos 70 anos tem sido questionada.  Precisamos aprender a lidar com a nova realidade e a composição das chapas norte-americanas é um bom exemplo.

Número 707 - 01 de setembro de 2008

A morte de Dorival Caymmi relembra
porque somos o país da delicadeza perdida

Autor de uma obra monumental pela qualidade, Dorival Caymmi deixa o país órfão de sua genialidade mas inspirado por suas músicas belíssimas para enfrentar os problemas atuais

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O mês de agosto terminou deixando a Música Popular Brasileira mais pobre com a morte do compositor Dorival Caymmi. Um dos gigantes da MPB, Caymmi foi personagem marcante da extraordinária explosão criativa que, no século 20, fez da música brasileira um dos movimentos artístico-culturais mais densos e diversificados do mundo. Talvez a nossa maior expressão cultural.

“A Música Popular Brasileira é a mais completa, mais totalmente nacional, mais forte criação de nossa raça até agora.”

Mário de Andrade, 1883-1945, escritor paulista

Nascido na cidade de Salvador em 1914, transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1938 de onde firmaria uma carreira como compositor que o colocou ao lado de figuras como Noel Rosa, Pixinguinha, Ary Barroso, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Caetano Veloso, verdadeiros pilares da MPB. Foi um gigante sem rebuscamento, um compositor original e com produções de tanta qualidade que parecem, paradoxalmente, não ser suas. Francisco Bosco no pequeno mas muito bem escrito livro da coleção Folha Explica, “Dorival Caymmi” (Publifolha), afirma dele o seguinte:

“Os sambas de Caymmi possuem aquela que seja talvez a virtude maior da canção popular: provocam a vontade de ouvi-los e reouvi-los, de decorá-los (o que se faz sem se dar conta) e cantá-los e cantá-los. São canções que parecem anônimas.”

Francisco Bosco, “Dorival Caymmi”, Publifolha

O que é interessante observar em Caymmi, tanto em seus extraordinários sambas-canção, quanto nas não menos extraordinárias “canções praieiras”, uma criação sua absolutamente original, é a visão de uma região (a Bahia) e, por extensão, de um país mais puro, quase inocente. Um país ainda não irremediavelmente tocado pelo violento processo de urbanização que fez do Rio, de Salvador e de todas as grandes cidades brasileiras verdadeiros turbilhões onde a delicadeza se perdeu.

“O país da delicadeza perdida é o Brasil da bossa nova, do doce balanço a caminho do mar, do cinema novo, de JK, quando tudo ainda parecia que seria.”

Sérgio Dávila, jornalista, Folha de S. Paulo, 23.11.03

Caymmi foi testemunha e protagonista desse tempo. Um tempo de delicadeza que depois se perdeu mas que ele manteve vivo na sua música. Tanto o samba modernizado por Noel, quanto o samba-canção que se seguiu, quanto a Bossa Nova da qual foi um dos precursores, quanto o samba de protesto, quanto a Tropicália dos baianos seus conterrâneos, até esse, para usar a expressão do poeta Fernando Pessoa. “não sei o quê moderno”. Passou por todos, compondo cerca de uma centena de músicas excepcionais. Tão excepcionais que parecem coisa de outro mundo.

“Não parece coisa feita por gente: parece o canto das coisas em si.”

Arnaldo Antunes, músico

A morte de Caymmi é também a morte de uma testemunha desse país de um outro tempo. Onde as coisas pareciam mais simples e bem mais fáceis do que são agora. Um país que da Copa do Mundo de 1970 até agora passou de 90 milhões para 190 milhões de habitantes. Que inchou as cidades e que está requerendo novos recursos para tratar e resolver seus novos problemas. Um país que perdeu a inocência e a delicadeza mas que, felizmente, ainda tem a música de Caymmi para ajudar nessa tarefa tão grande quanto difícil de  consertar o que precisa ser consertado e seguir adiante.

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