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Número 658 - 24 de setembro de 2007

Fed baixa os juros enquanto o Brasil
reforça suas expectativas de crescimento

A redução dos juros pelo Fed, considerada agressiva, amplia o sentimento de que a ameaça de recessão é maior do que se imaginava; enquanto isso, o Brasil aumenta crescimento do PIB

 

Na semana passada, o Fed (Federal Reserve), o Banco Central do EUA, promoveu a primeira redução dos juros norte-americanos desde 2003. Foi um corte de 0,5 ponto percentual que reduziu a taxa básica para 4,75% ao ano após a sua permanência por 15 meses em 5,25%. A redução foi considerada ousada pelos analistas que esperavam, no máximo, uma diminuição de 0,25% e foi justificada pelo próprio Fed do seguinte modo:

“A ação de hoje pretende se antecipar a alguns dos efeitos negativos que poderiam surgir das dificuldades do mercado financeiro e garantir um crescimento moderado ao longo do tempo.”

Comitê de Política Monetária, Fed, 18.09.07

Trata-se da primeira prova de fogo do novo presidente do Fed, Ben Bernanke, substituto do lendário Alan Greenspan, e sinaliza para a preocupação com a recessão que pode vir a ser provocada pela crise imobiliária. Muita gente do mercado, depois da iniciativa, passou a considerar a hipótese de que a ameaça de recessão pode ser bem maior do que se imaginava inicialmente. O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil e hoje atuando no mercado financeiro como sócio da Gávea Investimentos, dá o tom da perplexidade dos agentes econômicos.

“Um corte de meio ponto não acontece à toa, mas o quão grave é a crise é difícil saber.”

Armínio Fraga, Folha de S. Paulo, 19.09.07

Essa dúvida tenderá a permanecer pelo menos até que sejam publicados os balanços dos bancos e apareçam contabilizados os prejuízos decorrentes dos títulos afetados pela crise das hipotecas norte-americanas.

“Apesar da grandeza, o corte de ontem pode não ser suficiente para dar um fim às turbulências. Analistas dizem que só após os próximos balanços dos bancos se conhecerá melhor os estragos da crise.”

Denyse Godoy, Folha se S. Paulo, 18.09.07

No que diz respeito aos países emergentes, em especial ao Brasil, as previsões são de que, no curto prazo, em decorrência da decisão do Fed, serão beneficiados. Se, no entanto, as coisas piorarem nos EUA, os emergentes serão inevitavelmente afetados.

“Não vejo a crise afetando de modo considerável. Emergentes como o Brasil continuam bastante atrativos. Claro que, se o tremor financeiro contaminar o lado real da economia e o consumo americanos, isso acabará afetando os mercados emergentes mais gravemente.”

Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do FMI, 19.09.07

Por enquanto, o Brasil continua navegando em águas tranqüilas. A Bolsa voltou a subir, a pobreza caiu em 2006, o crescimento do segundo trimestre bateu recorde e as projeções do Ipea para o crescimento do PIB em 2007 foram revistas de 4,3% para 4,5%.

“É razoável concluir que, se os problemas da economia internacional não suscitarem uma crise de graves proporções, o país poderá dar continuidade ao ciclo expansivo iniciado em 2004.”

Boletim de Conjuntura do Ipea, 19.09.07

Número 657 - 17 de setembro de 2007

Algumas regras básicas
para a boa utilização dos laptops

Em decorrência da “revolução da portabilidade”, os laptops, como companheiros cotidianos de jornadas e deslocamentos, requerem algumas regras básicas para uma adequada utilização

 

Diante da “revolução da portabilidade”, tratada no Gestão Hoje anterior (ver número 656), vale a pena tecer mais algumas considerações complementares. Paul Allen, co-fundador da Microsoft junto com Bill Gates, e uma das maiores fortunas do mundo (estimada em R$ 18 bilhões), disse:

“As pessoas querem carregar o seu computador pessoal por onde quer que andem.”

Paul Allen, revista Veja, 18.04.07

Partindo desta constatação, reforçada pela evolução da tecnologia celular, da internet e dos hardwares e softwares que permitiram a evolução dos computadores portáteis, Allen financiou o desenvolvimento de um computador de mão (palmtop) aperfeiçoado chamado FlipStart. O conceito do palmtop (computador de mão) briga com o conceito de laptop (computador de colo) e de notebook (livro de notas) na disputa pela portabilidade. O problema do palmtop é, justamente, o tamanho, pequeno demais para as tarefas que necessitam do teclado para serem executadas. O teclado, para ser adequadamente usado, precisa de uma dimensão mínima que a experiência parece estar fixando em 12 polegadas e, por isso, o padrão dos laptops está se consolidando com esse tamanho de tela.

“Entre as deficiências que eles [os palmtops] apresentam estão as telas minúsculas, que transformam as letras e os elementos gráficos do Windows em ícones microscópios. Na maioria deles, os teclados devem ser acionados com os dedos polegares, como um celular.”

Revista Veja, 18.04.07

Ora, se o teclado do palmtop precisa ser acionado com os polegares e todo mundo usa celular, por que, então, o celular não vira palmtop para quem quiser? É isso, justamente, o que já está acontecendo, sem eliminar a necessidade do laptop, mínimo, conectado, mais leve, com uma bateria de longa duração e que se pode carregar para todo lugar. Ou seja, o laptop com as funções de um notebook.

Diante do exposto e das tendências marcantes da portabilidade, é possível relacionar algumas “regras” que facilitam a utilização dos laptops.

1. Fazer Seguro
Com o aumento da portabilidade, aumentam também os riscos de perda, roubo ou dano irreparável. Daí, a grande importância de colocar o portátil no seguro.

2. Usar uma Bolsa Só
Com a diminuição do peso e do tamanho, deve-se evitar usar duas bolsas, uma para carregar documentos, outra para o laptop. Além da praticidade, diminui o risco de assaltos.

3. Usar o Mouse de Contato
O desenvolvimento tecnológico fixou o mouse de contato que vem em todo laptop como a melhor opção ergométrica. Diante disso, os mouses externos ficaram totalmente anacrônicos. Usar bem é apenas uma questão de treino.

4. Fazer Backup no Pen Drive
Também chamado de “memória USB flash drive”, os pen drives são indispensáveis para fazer backup dos arquivos importantes e evitar perder tudo em decorrência de acidente ou roubo.

5. Manter a Caixa de Entrada Vazia
A caixa de entrada do Outlook é como a caixa de entrada de papéis: não funciona quando está cheia. Diante da avalanche de e-mails que recebemos, esvaziar continuamente a caixa é indispensável, mesmo porque, se ela ficar muito cheia, o próprio Outlook se encarrega de fazer um esvaziamento hostil, provocando perda de tudo que estava arquivado nela.

Número 656 - 11 de setembro de 2007

Tecnologia celular, internet e laptops
promovem a “revolução da portabilidade”

A universalização da internet, o desenvolvimento da telefonia móvel e o aperfeiçoamento tecnológico dos computadores portáteis transformaram os laptops em bagagem cotidiana

 

Há dez anos o experiente publicitário brasileiro Júlio Ribeiro, presidente da agência Talent, falando sobre o que, no seu entendimento, marcaria o Século 20, disse o seguinte:

“A grande revolução que vai caracterizar este século não será a Soviética ou a da desintegração do átomo. Será a revolução na forma das pessoas se comunicarem. A invenção do computador, do satélite e do avião a jato mudou profundamente a realidade do planeta.”

Júlio Ribeiro, Estado de S. Paulo, 18.08.97

Naquela época, ele já definia o século passado como o século da comunicação e olhe que nem se falava direito ainda nem em telefone celular nem em internet. Com a massificação dos dois é que a definição se exacerba. Se o Século 20 pode ser definido como o século da comunicação, o Século 21, pelo menos nesse seu início, pode ser caracterizado, depois do celular e da internet, como o século da comunicação conectada, da “nova economia” em tempo real. Só no Brasil já existem mais de 100 milhões de telefones celulares em uso e pela última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 68% dos domicílios têm, pelo menos, um telefone celular. Tudo isso em menos de dez anos de uso da tecnologia móvel.

“Na ‘nova economia’, as mudanças são rápidas e profundas. E intangíveis. Geração nenhuma viveu tamanho trauma.”

Amartya Sem, economista indiano, prêmio Nobel

Quanto à internet, embora não tenha ainda a mesma abrangência do telefone celular, representa um avanço tecnológico nas comunicações sem precedentes na história contemporânea.

“A internet é uma das mais importantes tecnologias da história. Talvez não tão importante como a eletricidade ou o telefone, mas a mais importante dentro da informática.”

Larry Ellison, presidente da Oracle Corporation

Juntos celular, internet e o desenvolvimento da tecnologia de hardware e software que está permitindo a maior portabilidade e a diminuição de preço dos notebooks ou laptops (hoje sinônimos) está resultando, na prática, na transformação dos computadores portáteis em companheiros permanentes de trabalho e já quase parte inseparável da nossa bagagem cotidiana.

“O crescimento na venda de notebooks fez com que o Brasil passasse da 7a. para a 4a. posição no ranking mundial de vendas de computadores durante o segundo trimestre. Entre abril e junho o país comercializou 2,1 milhões de computadores pessoais. Os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar nessa lista, com 16 milhões, seguidos pela China (sete milhões) e Japão (3,1 milhões).”

Site G1, g1.globo.com, 31.08.07

O padrão atual de computador portátil que nos acompanha dentro da pasta (não mais em uma bolsa separada só dele), parece estar se fixando, dentre outras especificações, no laptop (ou notebook) de 12” de tela, com menos de dois quilos de peso, bateria de pelo menos duas horas de duração e placa ou chip fornecido pelas companhias de telefonia móvel que permite conexão à internet em todos os lugares onde o celular funciona. É o que se poderia chamar de pequena “revolução da portabilidade”. A generalização do conceito wireless. Basta observar as salas de embarque nos aeroportos…

Número 655 - 03 de setembro de 2007

A nova conjuntura internacional e
os impactos sobre a economia brasileira

Os impactos da nova realidade financeira internacional sobre a economia real e, em particular, sobre a brasileira, ainda são desconhecidos mas já dá para traçar alguns cenários preliminares

 

Depois de uma injeção de recursos até agora superior a US$ 400 bilhões para garantia da liquidez dos mercados financeiros (ver a respeito os números 652 e 653 do Gestão Hoje), os principais bancos centrais do planeta mantêm-se alertas aos desdobramentos do estouro da bolha imobiliária do EUA. Por tratar-se de uma ação intervencionista inédita em volume, e que surpreendeu pela rapidez com que foi executada, vale a pena observar o que diz o economista Delfim Netto sobre como os bancos centrais aprenderam a agir deste modo.

“Trata-se de um problema do mercado financeiro desregulamentado que os Bancos Centrais aprenderam a enfrentar com Alan Greenspan na crise que levou à falência, em 1998, o famoso ‘hedge fund’ LTMC (Long Term Capital Management), que, por ironia, era dirigido por dois economistas (Prêmio Nobel) que haviam inventado a teoria para medir ‘riscos’.”

Delfim Netto, Folha de S. Paulo, 29.08.07

De fato, a desregulamentação atual do mercado financeiro global é de tal ordem que o total dos ativos acumulados (ações, depósitos bancários, títulos de governos e empresas) corresponde a mais do que o triplo do valor do produto econômico de todos os países do mundo juntos. De acordo com a revista Exame, já ultrapassou os US$ 140 trilhões em 2005 e caminha para o patamar de US$ 200 trilhões em 2010. Estima-se que o fluxo de capital no mundo (compra de ações, títulos de dívida, empréstimos, investimento direto produtivo) já supere os US$ 6 trilhões por ano, equivalente a seis vezes o valor no início da década de 1990. Com o estouro da bolha imobiliária norte-americana, houve um início de pânico e a cautela entrou temporariamente em cena.

“Os eventos recentes mudaram o panorama do mercado global — um período de empréstimos fáceis e dinheiro abundante dará lugar a análises mais realistas de riscos.”

John Stuttard, prefeito da City de Londres, Exame 900

Até que ponto tudo isso vai impactar a economia real é a pergunta que vale um milhão de dólares. Os volumes são muito altos e não se sabe ainda o que pode acontecer. Só os chamados “derivativos” (contratos firmados sobre os valores futuros de ativos como matérias-primas, moedas e crédito) tiveram o crescimento espantoso de US$ 3,5 trilhões no início dos anos 90 para US$ 286 trilhões no final de 2006. E os bancos centrais estão preocupados justamente porque tanto os derivativos quanto os fundos de private equity e os fundos de hedge são personagens novos e abundantes que não foram ainda testados numa crise como a da Ásia, da Rússia e do Brasil há dez anos. De qualquer forma, já se podem antecipar alguns cenários decorrentes da nova realidade de crise, inclusive para o Brasil.

“Antes da crise, acreditava-se que a economia americana cresceria 2,8% em 2008 e o Brasil teria um desempenho de 4,5%. Hoje, a aposta é que o PIB americano crescerá 2% em 2008 e o brasileiro 4,3%. No pior cenário, os Estados Unidos fecharão o ano que vem com taxa de 1,5% e o Brasil com 3,5%.”

Revista Exame 900, 29.08.07

O certo é que o Brasil hoje, depois de ter aprendido a lição da crise de 1998, encontra-se em muito melhores condições para enfrentar uma turbulência global mais acentuada mas não está, de modo algum, imune a ela, como aliás nenhum país está, em especial os emergentes. As próximas semanas devem deixar mais claras as perspectivas dessa mais nova crise global.

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