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Número 550 - 29 de agosto de 2005

Enquanto a crise não se resolve,
as CPIs ressaltam o desafio de conduzir reuniões

Com a crise em marcha para as soluções possíveis, as sessões das CPIs chamam a atenção para a importância dos recursos indispensáveis à adequada condução de reuniões de trabalho

 

Enquanto a gravíssima crise política corre solta em Brasília e as apurações avançam a passo de tartaruga, começam a aparecer notícias de que se estaria costurando um “acórdão” para salvar o pescoço de vários parlamentares denunciados. Independente do que vier a acontecer, o importante é a constatação de que as instituições estão funcionando e são inevitáveis os aperfeiçoamentos que virão, na melhor linha daquilo que o falecido Darcy Ribeiro chamava de avanços do Brasil “aos trancos e barrancos”.

“Nossa modernização se dá aos trancos e barrancos, quase por acaso.”

José de Souza Martins, O Estado de S. Paulo, 20.02.05

É assim que vamos evoluir também nesse caso do escândalo do “mensalão” e seus impressionantes desdobramentos. O que sair daí será melhor do que temos hoje mas, com certeza, não será o ideal. É assim que o país avança e tem avançado sempre.

Enquanto, todavia, não se encaminham as soluções que inevitavelmente virão, uma coisa chama a atenção de quem lida diariamente com a gestão empresarial. Nas sessões das CPIs e do Conselho de Ética da Câmara, largamente divulgados pela mídia, sobretudo pelas TVs por assinatura ao vivo, salta aos olhos a dinâmica de condução das reuniões pelos respectivos presidentes, em especial pelo da mais divulgada até agora, a dos Correios. Todos observam os esforços do senador Delcídio Amaral para conduzir os trabalhos em meio a tanta gente querendo falar, tantas questões de ordem, tantos apartes…

Apesar de todo o ritual e o formalismo de que são revestidas, essas sessões parlamentares são, também, reuniões de trabalho e, inevitavelmente, seguem as regras básicas para seu bom funcionamento. O Gestão Hoje já tratou do tema em pelo menos quatro ocasiões: (1) no número 292 (sobre o porquê das reuniões); (2) no número 294 (sobre os requisitos indispensáveis para a realização de reuniões); (3) no número 304 (sobre as regras básicas para a condução das reuniões). Além disso, o número 245 tratou de outro tema de grande importância (o desejo inconsciente do grupo de enlouquecer o coordenador).

A observação das sessões, todavia, chama a atenção para a necessidade de complementação dessas referências com a explicitação dos recursos de que deve lançar mão o coordenador para garantir adequada condução da reunião. São eles: (1) Inscrição; (2) Questão de Ordem; (3) Aparte; (4) Proposta; e (5) Votação.

1. Inscrição: depois que se estabelece a segunda regra básica (”só pode falar um de cada vez”), torna-se imprescindível a abertura de uma lista de inscrições para que se possam registrar as solicitações para falar e respeitar a ordem dessas solicitações.

2. Questão de Ordem: uma vez estabelecida a seqüência de inscrições, é possível que durante a sua execução surja alguma questão essencial que mereça interromper a ordem estabelecida. Cabe ao coordenador acatar ou não a questão de ordem solicitada.

3. Aparte: no momento em que um inscrito está usando da palavra, é possível que surja a necessidade de algum esclarecimento ou complementação solicitados por outro participante, inscrito ou não. Geralmente cabe a quem está fazendo uso da palavra conceder ou não o aparte.

4. Proposta: quando há necessidade de uma decisão e as discussões não permitem ela se formar por acordo, faz-se necessária a formulação de uma ou mais propostas para encaminhamento e, finalmente, a votação.

5. Votação: quando os argumentos começam a se repetir na defesa da(s) proposta(s) é chegada a hora da votação que deve ser conduzida pelo coordenador da reunião. Importante: nas empresas, em geral, as votações são apenas indicações para a decisão do gerente uma vez que, em última análise, a responsabilidade pelos resultados será cobrada dele.

Número 549 - 22 de agosto de 2005

Acusações chegam a Palocci mas
país dá mostras de ser maior que a crise

Mesmo acontecendo o que todos temiam, a chegada da crise ao ministro da Fazenda, o tratamento da questão e as reações do mercado apontam para o amadurecimento do país

No início da tarde da sexta-feira passada, com a denúncia feita por um antigo auxiliar de que o ministro Antônio Palocci, quando prefeito, recebeu uma propina mensal de R$ 50 mil da empresa que fazia a coleta de lixo na cidade, pareceu que o governo Lula tinha chegado, de fato, ao seu final.

“A crise por si só foi levada para dentro do Palácio do Planalto com a delação premiada de Buratti, ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto. Assim, o paciente, o governo Lula, que estava aparentemente com os sinais vitais preservados, passa a respirar agora com ajuda de aparelhos. As funções renais estão comprometidas, os batimentos cardíacos acelerados e com um quadro de infecção generalizada. O paciente está em coma induzida pelos acontecimentos.”

Jorge Bastos Moreno, Blog do Moreno, 19.08.05, 13h12

A repercussão foi imediata. No mercado financeiro a cotação do dólar deu um salto de quase 5% e a bolsa caiu. No exterior, o risco-Brasil subiu. Um arrepio de medo percorreu a espinha da opinião pública. Todos os que têm um mínimo de compreensão do que está acontecendo e temem pelas conseqüências de toda essa irresponsabilidade na estabilidade econômica ficaram apreensivos. Não se sabia o que poderia acontecer depois que aquela que era considerada a penúltima cidadela fosse abalada. Na imprensa internacional, começaram a aparecer as primeiras reações. A principal manchete do jornal francês Le Figaro, no sábado 20.08, tradicionalmente simpático ao governo Lula, foi: “Corrupção no Brasil: Lula Ameaçado”.

A coisa parecia ir de mal a pior até que o ministro Palocci convoca uma entrevista coletiva na sede do ministério da Fazenda para o domingo na hora do almoço. Para a surpresa de todos, o ministro passa mais de duas horas expondo e respondendo perguntas, algumas muito embaraçosas saindo-se, diante das circunstâncias, bastante bem. Tão bem que até a oposição elogiou, como se pode ver pela declaração do líder do PFL na Câmara, divulgada no site do jornalista Ricardo Noblat (www.noblat.com.br), por sinal, a melhor fonte de informações sobre a crise.

“Palocci falou com segurança, mostrou tranqüilidade e não atacou diretamente Buratti. Disse o que o mercado queria saber: não vai haver alteração na política econômica. E ele continuará no ministério.”

José Carlos Aleluia, Blog do Noblat, 21.08.05, 20h

Essa reação da oposição, e pelo que se pode antecipar, a assimilação do mercado, levam à conclusão de que, ao contrário do que se pensava antes, o atingimento do ministro pelo vendaval das denúncias não coloca em sério risco, pelo menos por enquanto, a estabilidade macroeconômica. Até mais do que isso, conforme antecipa o jornalista Ricardo Noblat em seu blog.

“O chamado mercado financeiro já assimilou a hipótese de Lula não concluir o mandato. Desde que a política econômica seja mantida, pouco se lhe dá se Palocci fica ou sai.”

Ricardo Noblat, Blog do Noblat, 21.08.05, 10h17

Se isso é verdade mesmo, veremos nesta semana que começa. Todavia, uma coisa parece positiva no meio de todo esse inacreditável tumulto político: apesar de ter a economia beneficiada com a excelente conjuntura internacional, o país vai dando mostras de maturidade e capacidade de superação até certo ponto surpreendentes.

“Estamos vendo que governo e governantes podem ser menores que as crises, mas o Brasil é maior.”

Gilberto Dimenstein, Folha de S. Paulo, 21.08.05

Número 548 - 15 de agosto de 2005

Baixíssima capacidade de lidar com a
crise compromete futuro do governo Lula

Incapaz de conter a avalanche de denúncias que arrasta o governo ladeira abaixo, o presidente Lula corre o risco de transformar-se no que os norte-americanos chamam de "lame duck"

A semana que passou foi particularmente difícil para a esquerda brasileira. Na quinta, 11.08, a todos chamou atenção o choro coletivo dos deputados do PT no plenário da Câmara, depois de saberem, pela voz de Duda Mendonça na CPI dos Correios, que o partido lhe havia feito pagamentos pelo caixa 2 do valerioduto em paraísos fiscais no exterior. Na sexta, 12.08, o presidente Lula fez um discurso ao país em que, embora aquém do que seria necessário, dada a gravidade da crise, confessa a existência do mar de lama que ameaça invadir seu gabinete. E no sábado, 13.08, falece aos 88 anos no Recife, o deputado Miguel Arraes de Alencar, presidente do PSB e ícone da esquerda no país, o último dos políticos de peso pré-64 ainda em atividade. O “último tamoyo”, como a ele se referiu o repórter Jorge Bastos Moreno, de O Globo, em seu blog (oglobo.globo.com/online/blogs/ moreno/default.asp).

“Arraes, Ulysses, Tancredo e Brizola foram de uma geração que deixa marca na história deste país. Lula conviveu com os quatro. Cada um a seu jeito, no fundo tinham alguns pontos em comum, os mais importantes deles: espírito público e amor à liberdade.”

Jorge Bastos Moreno, Blog do Moreno, 14.08.05

Apesar da convivência com esses e com vários outros políticos experimentados ao longo de sua vitoriosa trajetória política, o desempenho do presidente Lula diante da portentosa crise que se abateu sobre o seu governo, aponta para uma grande dificuldade de lidar com a situação. A cada dia que passa, com a evolução gradual e firme da crise, pelo aparecimento de denúncias ou pelo avanço das investigações, vai ficando mais evidente a incapacidade do presidente de lidar com ela. O discurso da semana passada foi uma demonstração marcante dessa dificuldade.

“O pobre discurso do presidente da República acaba sendo apenas a confirmação do que já se vinha notando desde o início da crise: Luiz Inácio Lula da Silva é inepto como piloto de tormenta.”

Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo, 13.08.05

A evidência mais clara disso é, justamente, a forma como a crise tem se desenrolado sem que o governo consiga ficar, sequer por alguns míseros dias, à frente dos fatos, sendo surpreendido por novas revelações a cada semana e, não raro, a cada dia.

“O governo tem sido empurrado pelos fatos, entre claudicante e abúlico, esboçando reações tardias, contraditórias e insuficientes.”

Miriam Leitão, O Globo, 14.08.05

Essa inaptidão pessoal para a administração de crises é particularmente agravada pela falta de estrategistas políticos de peso junto ao presidente. O chamado “gabinete da crise” montado para isso é composto pelos ministros da Justiça (Márcio Thomaz Bastos), da Fazenda (Antonio Palocci), da Casa Civil (Dilma Roussef) e da Articulação Política (Jacques Wagner), todos competentes mas fracos e divididos enquanto estrategistas políticos. Como resultado dessa inabilidade acumulada tem-se um quadro que começa a colocar em xeque a capacidade do presidente de permanecer à frente do governo até o fim.

“Pode até permanecer na Presidência da República até o final do mandato, mas ficará como o que os norte-americanos adoram chamar de ‘lame duck’ (literalmente, pato manco; no jargão político, um dirigente abalado, portanto manco).”

Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo, 13.08.05

Para evitar esse ou um final até mais triste, o tempo é muito curto mas ainda existe. Para isso, porém, o presidente precisa ir mais além do que já conseguiu ir até agora. Vamos ver.

Número 547 - 08 de agosto de 2005

Economia ainda não foi mas pode
vir a ser afetada pela grave crise política

O bom desempenho macro da economia brasileira, puxado pelas exportações, ainda pode vir a ser afetado se o presidente ou o ministro forem atingidos ou se ocorrerem turbulências externas

 

 

 

Enquanto a crise corre solta, sem que se possa vislumbrar ainda em que tudo o que está vindo à tona vai dar, a economia parece resistir sem dar sinais de ser impactada pelo escândalo político de proporções verdadeiramente impressionantes.

“O país estarrecido vê, a cada dia, se delinear mais nitidamente o contorno do mais amplo, generalizado, bem montado e profundo esquema de corrupção jamais visto.”

Miriam Leitão, O Globo, 27.07.05

Em razão dessa resistência, muitas opiniões são publicadas e/ou emitidas dando a entender que a economia estaria “blindada” pela boa performance das políticas postas em prática pelo atual governo, como se o país, agora, estivesse, como que, invulnerável às turbulências. O próprio presidente do Banco Central, normalmente bastante otimista em relação ao tema, discorda dessa opinião:

“Nenhum país é invulnerável.”

Henrique Meirelles, revista Dinheiro, 10.08.05

Na realidade, o que há é a conjugação de um bom desempenho macroeconômico, garantido por uma excepcionalmente favorável conjuntura internacional e pela postura moderada do ministro da Fazenda Antônio Palocci, reconhecida até pela oposição.

“…dados positivos que estão aí se devem à sorte de ter aparecido Palocci - não que a política econômica esteja certa, mas há uma estabilidade - e à melhor conjuntura internacional desde a crise de 1929.”

José Serra, Folha de S. Paulo, 31.07.05

De fato, essa excepcional conjuntura internacional, além da ausência de crises, tem favorecido, pela demanda, o extraordinário desempenho das exportações que praticamente dobraram de valor desde 2003 (eram de US$ de 61 bilhões e estão projetadas para chegar ao final desta ano na casa dos US$ 120 bilhões). Com isso, o superávit comercial pode fechar em 2005 acima de US$ 40 bilhões, projetando um superávit em transações correntes da ordem de US$ 13 bilhões, completando três anos seguidos no azul (contra um déficit que já chegou a bater em US$ 38 bilhões em 1998). Essa corrente financeira positiva, junto com os juros reais mais altos do mundo (em torno de 14% ao ano), têm provocado uma entrada recorde de dólares que tem segurado a moeda norte-americana na casa dos R$ 2,30 (cotação atingida na semana passada, a menor cotação desde 2002). Com dólar baixo e juros altos, a inflação caiu ao nível de deflação há, pelo menos, três meses seguidos.

“Além da popularidade de Lula, o que tem segurado o governo é a popularidade do dólar.”

Paulo Delgado, deputado (PT-MG), FSP, 05.08.05

Existem, portanto, fatores internos e externos que podem afetar a economia, provocar turbulências e mexer no preço do dólar. Os internos: as investigações chegarem ao presidente da República ou ao ministro Palocci. As externas: alguma crise que retraia a demanda pelas importações brasileiras ou faça o capital volátil ter medo de vir para o Brasil (não esquecer que FHC enfrentou, durantes seus 8 anos de governo, 6 crises externas com graves repercussões na economia).

“Não é possível blindar a economia. Os acertos ajudam a diminuir os efeitos das crises, mas não há um momento em que se pode dizer que nada atravessa a tênue fronteira entre política e economia.”

Miriam Leitão, O Globo, 30.07.05

Resta torcer para que esses fatores de turbulência não venham a ocorrer, mudando a força dos ventos que impulsionam a ainda frágil economia brasileira. Se isso ocorrer, a capacidade do governo de enfrentar uma crise cambial é bastante reduzida.

Número 546 - 01 de agosto de 2005

Agora, não dá mais para fazer
um “acordão” e terminar tudo em pizza

No ponto em que chegou a crise política, é impossível um acordo para livrar a culpa dos envolvidos e será necessário muito cuidado e responsabilidade para evitar contágio na economia

Com a descoberta de que o esquema chamado pela imprensa de “lavanderia do Marcos Valério” tinha sido usado também na campanha eleitoral do ex-governador e hoje senador mineiro Eduardo Azeredo, presidente do PSDB, começou a ser disseminada, na semana que passou, a impressão de que a crise política havia atingido o seu ápice e, a partir daí, começaria a refluir, sinalizando para um acordo que levaria à não punição dos culpados. Uma análise um pouco mais cuidadosa e menos apressada leva a conclusões opostas.

“Há uma percepção generalizada de que o pior da crise já passou, mas ainda é cedo para isso. Há toneladas de documentos sendo analisados e muita coisa ainda pode surgir até a terrível definição de quantos, quais e quando devem ser cassados no Congresso.”

Eliane Catanhêde, Folha de S. Paulo, 31.07.05

Nem a entrada em cena do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, advertindo para a necessidade de moderação e de preservação do presidente da República, nem mesmo um início de conversações entre o PTB e o PL, com a chancela do presidente da Câmara Severino Cavalcanti, para evitar a cassação de algumas cabeças coroadas diretamente envolvidas no escândalo, são suficientes para iniciar a elaboração de uma grande pizza.

“A garrafa da crise está dessarolhada e não é mais possível voltar a fechá-la. A pressão criada no interior da garrafa pela fermentação da ganância, rivalidades, inveja de classe, fome de poder, ódio, culpa e pânico parece destinada a expelir tudo o que existe dentro dela, até a última gota.”

Tales Alvarenga, revista Veja, 03.08.05

O máximo que se pode conseguir nas circunstâncias atuais é um acordo que permita uma “blindagem” possível para o presidente Lula. Mesmo assim, sob a condição de não aparecer nenhuma prova cabal do envolvimento pessoal do presidente ou de seus familiares.

Num caso assim, nem mesmo a melhor das boas vontades políticas compartilhadas poderia impedir o agravamento extremo da crise e a abertura de processo parlamentar de crime de responsabilidade contra o presidente, mesmo com o Congresso desmoralizado como está. Claro que, nesse caso, o cenário seria de ebulição total. “Nitroglicerina pura”, como disse certa vez o ex-presidente Collor, de triste memória.

“Não me sinto em condições de prever até onde isso vai chegar. Tudo depende dos desdobramentos. Quem achar que tem claro o que vai acontecer é porque não está entendendo nada.”

José Serra, prefeito de São Paulo, FSP, 31.07.05

É completamente despropositado imaginar que a atual crise política, considerada, segundo nota oficial do PPS, divulgada em 31.07.2005 e assinada pelo presidente do partido deputado Roberto Freire, “a mais grave da história republicana”, possa se resolver com uma grande pizza que seja colocada no forno para festejar a costura de:

“… uma espécie de anistia geral que permitirá que se safem alegremente da confusão tanto os agraciados com o mensalão quanto os beneficiados pelo caixa dois.”

Otávio Cabral e Thaís Oyama, Veja, 03.08.05

Do ponto de vista político, o país caminha pelo fio da navalha e um escorregão pode provocar conseqüências sérias, inclusive do ponto de vista da economia que, em caso de desarranjo, será inevitavelmente contaminada. Espera-se dos mais responsáveis juízo, inclusive e sobretudo do presidente da República. Dos irresponsáveis, pode-se esperar qualquer coisa, inclusive renúncias em série de mandatos parlamentares.

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