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Número 424 - 31 de março de 2003

EUA cometem um erro primário:
subestimar o inimigo e ficar vulnerável

Movidos pela confiança em excesso e pela arrogância, ao que tudo indica, os EUA subestimaram o inimigo e estão tendo que rever a estratégia original e o tempo da guerra

 

Já se disse à vontade e com toda propriedade, que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. Por isso, é sempre difícil tirar conclusões com base no que é noticiado pelas partes envolvidas.

Nessa guerra do Iraque, então, isso está sendo evidenciado de modo intenso. Certamente é a guerra mais amplamente coberta pela imprensa na história, ao vivo e a cores. Paradoxalmente, todavia, essa cobertura está sendo objeto de um controle nos EUA nunca também visto na história. Além da autocensura praticada por praticamente todos os veículos sob inspiração direta do Pentágono, ainda se está verificando um impressionante show de parcialidade, isso na autoproclamada “pátria da liberdade e da democracia”.

Todavia, mesmo com a desconfiança que devemos ter sobre o que lemos e vemos relativamente à guerra, um fato parece sobressair de modo incontestável das notícias veiculadas sobre o conflito: os EUA cometeram um erro estratégico importante e, ao que parecem indicar os fatos, estão em processo de revisão. Pelo menos, é o que se pode deduzir das palavras atribuídas ao general William Wallace, comandante das forças terrestres em território iraquiano, em entrevista ao jornal “The Washington Post”.

“O inimigo com o qual lutamos é diferente daquele para o qual havíamos nos preparado.”

William Wallace, general norte-americano

Essa declaração abre a perspectiva para a observação da falha de estratégia. Amparada na chamada Doutrina Bush e posta em prática pelo secretário de Defesa Donald Rumsfeld, a ofensiva inicial contra o Iraque, denominada sintomaticamente pelo Pentágono de “Choque e Pavor”, previa uma guerra rápida com intenso ataque aéreo e rápido deslocamento das forças terrestres até as portas de Bagdá. Todavia, ao que tudo indica, dependia para o seu êxito do apoio da população iraquiana, “ansiosa” por ver-se livre do “ditador cruel” Saddam Hussein.

Mas a população iraquiana não agiu como o esperado. Até agora não tem correspondido às expectativas. Pelo contrário, até. Forças não regulares, saídas do meio da população, têm contra-atacado.

Por certo essa confiança equivocada induziu ao erro. Primeiro pela subestimação do contingente de soldados necessários ao cumprimento da missão. Na guerra do Golfo, em 91, foram deslocados pelas forças aliadas para a região do conflito 500 mil combatentes. Agora, as estimativas dão conta de menos de 300 mil, sendo apenas 100 mil dentro do território iraquiano. Especialistas começam a dizer que, face aos objetivos estabelecidos, é muito pouco. Além disso, o excesso de confiança  levou a uma marcha acelerada pelo deserto, do sul até Bagdá, numa linha de mais de 400 km, desde a base até o front. Isso provocou o que os analistas estão chamado de “estreitamento da linha de suprimentos”, deixando-a vulnerável a ataques e à conseqüente ruptura do fluxo logístico. Sem suprimentos adequados não há guerra vitoriosa, por melhor que seja a força de ataque.

Tudo isso parece confirmar o que já estava escrito há 3.000 anos no Tao Te King, livro chinês da saberia Taoísta:

“Não há maior desgraça do que subestimar o inimigo, se eu subestimo o inimigo, corro o risco de perder minhas riquezas. Quando dois exércitos se confrontam em combate, vence o que luta de coração pesado.”

Lao-Tsé

Evidentemente, esse erro inicial, por certo provocado pela arrogância, tende a ser corrigido e a enorme supremacia norte-americana voltará a pesar em breve. Só há uma hipótese de Saddam não ser deposto: a opinião pública norte-americana exigir o fim da guerra pressionada pela morte de seus soldados e/ou pela de muitos civis iraquianos. É nisso que Saddam está apostado ao levar a guerra para ser decidida na já chamada “Batalha de Bagdá”.

Número 423 - 24 de março de 2003

Doutrina Bush coloca em xeque ordem internacional

Ao promover a invasão do Iraque sem mandato da ONU, os EUA dão um arriscado passo na direção de se tornarem, por auto-proclamação, uma espécie de "xerife" da humanidade

 

A primeira bomba lançada caiu mesmo foi sobre o Conselho de Segurança da ONU. De quebra, colocou em xeque todo o sistema internacional de regulação montado depois da Segunda Guerra Mundial.

Na condição de nação belicamente mais poderosa do planeta (seus gastos militares são maiores do que os de todos os outros países juntos), os EUA, a julgar pelos passos recentes, pretendem se consolidar como a nação hegemônica no mundo e uma espécie de “xerife” da humanidade, de uma forma perigosamente arrogante.

Só para se ter uma idéia do poderio norte-americano e da desproporção da ação contra o Iraque, como bem destacou o economista Gilberto Dupas, da USP, no GloboNews Painel da semana passada, só um porta-aviões, dos oito que estão baseados nas proximidades da zona de conflito, custou US$ 10 bilhões. O PIB do Iraque pode ser calculado em torno de US$ 30 bilhões, o valor de três porta-aviões, portanto. (A propósito, o PIB do Afeganistão deve girar em torno de US$ 8 bilhões, menos do que um porta-aviões).

Essa postura imperialista sem disfarces baseia-se no que já se convenciona chamar de “Doutrina Bush”. Formulada pelo grupo de assessores mais próximos do presidente (o vice, o secretário de Estado, a assessora de Segurança, o presidente da CIA e outros), é uma espécie de versão em escala planetária da velha máxima: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Quem não gostar, que engula, quem for tido como ameaça, que se cuide.

Pela Doutrina Bush, uma figura caricata e inegavelmente tirânica como Saddam Hussein cai como uma luva para “justificar” uma operação punitiva, de proscrição de “armas de destruição em massa” e de “salvação do povo iraquiano” para encobrir interesses estratégicos de natureza política e geo-econômica.

As razões de natureza política são relativamente fáceis de entender: depois de ter satanizado Saddam durante um bom tempo, as chances reeleitorais de Bush seriam muito baixas se, durante a campanha, o ditador iraquiano estivesse ainda no poder.

As razões econômicas são capitaneadas pelas apetitosas reservas petrolíferas do Iraque, com o agravante da situação política potencialmente perigosa da Arábia Saudita, principal aliado norte-americano na região do Golfo.

No rastro dos atentados de 11 de setembro, os serviços de inteligência dos EUA flagraram tenebrosas transações financeiras de membros da família real saudita com a organização terrorista de Bin Laden. Se, por um azar do destino, a sucessão do poder se der com a ascensão de algum fundamentalista hostil, os EUA se veriam em maus lençóis, numa região de onde importam metade de suas necessidades externas de petróleo. 

Diante desse quadro, com o reforço do ainda indefinido quadro do Irã, a política de segurança nacional norte-americana, reforçada pelo Doutrina Bush, só recomendam uma coisa: a instalação de uma base permanente dos EUA na região. E, mais uma vez, dada à sua extraordinária performance como chefe de estado irresponsável, Saddam se oferece como um excelente pretexto para ser deposto.

O resultado prático disso tudo são toneladas de bombas despejadas diariamente sobre a cabeça dos moradores de Bagdá e uma enorme força de guerra rumando para a capital com o objetivo explícito de derrubar Saddam do poder e instalar um governo de ocupação, secundado por um grande programa de “reconstrução” do país.

Esse talvez seja a único trunfo de Saddam: atrair o inimigo para uma guerra urbana desgastante, com grande sofrimento da população civil e acentuadas perdas de vida nas forças terrestres, quem sabe na tentativa de comover a opinião pública mundial e, sobretudo, a norte-americana.

Os próximos dias dirão com mais clareza o que ocorrerá e os desdobramentos no curto prazo. Enquanto isso, o mundo fica em suspense, com a certeza de que terá, logo após, que repensar toda a ordem internacional.

Número 422 - 17 de março de 2003

A guerra pode desencadear
nova crise na economia brasileira

A deflagração da guerra contra o Iraque, além de levar a diplomacia mundial a um impasse sem precedentes, pode ser o estopim de mais uma crise externa séria para a economia brasileira

Após uma semana em que os principais indicadores econômicos mostraram surpreendente performance positiva no Brasil, o mundo se vê diante de um grave “momento da verdade”, com a iminência do ataque anglo-americano ao Iraque.

De fato, contrariando as expectativas dominantes, tanto os indicadores de inflação, quanto o dólar, a bolsa e o risco-país, tiveram sensíveis melhoras na semana passada. A inflação, depois de um longo e preocupante período de ascensão, começou a indicar desaceleração. O dólar baixou para a casa dos R$ 3,40, o que não se via há quase dois meses. A bolsa aproximou-se dos 11.000 pontos, o que também não se via há algum tempo. E, finalmente mas não menos importante, o risco-país atingiu o nível dos 1.000 pontos, o mais baixo em vários e vários meses.

Em parte, essa melhora reflete a situação real da economia que, embora “inspire cuidados”, está bem longe do quadro negro pintado pela histeria da chamada comunidade financeira internacional, a partir de meados do ano passado, quando configurou-se como bem possível a eleição de um governo de oposição no país.

Sem a guerra, seria bastante provável que esse quadro de melhora pudesse firmar-se e, com o suporte positivo do extraordinário ajuste externo iniciado pelo governo anterior no segundo semestre do ano passado, propiciar as condições necessárias e perseguidas pelo governo Lula para a retomada do desenvolvimento sustentado. Com a guerra, é difícil prever o que pode acontecer mas, certamente, coisa boa não será.

A julgar pela postura de George W. Bush ao final da reunião de cúpula ocorrida no arquipélago dos Açores no fim de semana passado, são bastante remotas as chances de não ataque das forças aliadas da Inglaterra e dos EUA ao Iraque.

Os analistas das conseqüências econômicas dessa guerra são praticamente unânimes na previsão de que o conflito tende a retardar a retomada do crescimento dos EUA, da Europa e do Japão, em razão do aumento no preço do petróleo e da conseguinte inibição do consumo nos países ricos. Além disso, a guerra necessariamente elevará o déficit orçamentário norte-americano.

A temerária postura diplomática dos EUA de invadirem o Iraque a qualquer preço, passando por cima da ONU e das resoluções do seu Conselho de Segurança, além do sério risco de desmoralização dos mecanismos multilaterais construídos após a Segunda Guerra, tem como conseqüência a impossibilidade de divisão dos custos dessa iniciativa com os aliados. Por uma razão muito simples: além da Inglaterra, nenhum outro país tem mostrado disposição de se associar nessa empreitada nem, muito menos, rachar a conta.

Resultado: mais déficit no orçamento dos EUA, já bastante combalido do lado das receitas pelo corte de impostos promovido pelo governo Bush. Para 2003, sem contar os custos da guerra, o orçamento norte-americano já projeta um déficit de US$ 340 bilhões (metade do PIB brasileiro), quase U$ 1 bilhão por dia. Déficit de um orçamento desequilibrado produz ou inflação ou aumento da dívida pública e ambos são sinônimos de juros altos.

Portanto, a guerra pode muito bem servir de estopim para a interrupção da política de juros baixos tocada pelo FED (o Banco Central dos EUA). Se isso vier a acontecer, o sofrimento dos chamados países emergentes, dentre eles particularmente o Brasil, será redobrado. Além de queda, coice: petróleo caro, recessão mundial (com conseqüente dificuldade nas exportações) e fuga de capitais (atraídos pelos juros dos títulos do Tesouro dos EUA, considerada a aplicação mais segura do mundo mas, hoje, por conta dos juros do FED, no nível mais baixo desde a década de 70).

Torçamos para que esse cenário pessimista não se materialize e para que a melhora recente do quadro econômico não seja, apenas, uma janela de tempo bom antes do início de mais uma grande tempestade externa.

Número 421 - 10 de março de 2003

Mais um ano cumprindo
a missão de informar bem

Chegando ao seu ano 10, o Gestão Hoje sente-se orgulhoso com o dever cumprido de informar bem aos seus leitores

Não há gestão eficaz sem informação de boa qualidade. Por uma razão muito simples: tanto mais adequadas serão as decisões gerenciais quanto mais ancoradas em informações precisas elas estiverem.

A grosso modo, as informações relevantes para a boa decisão podem ser divididas em internas e externas à empresa. A qualidade das informações internas depende diretamente, cada vez mais, da adequação e do bom funcionamento dos sistemas informatizados, sobretudo os operacionais e os financeiros. No que diz respeito às informações externas, dada sobretudo a sua profusão cada dia maior, a qualidade está ligada diretamente à capacidade de tratamento sintetizado.

De fato, estudiosos do assunto falam que só em termos de informações de natureza publicitária (divulgadas em jornais, rádios, revistas, televisão, Internet, mídia exterior e exposições diversas de marcas), o habitante de um centro urbano médio está exposto diariamente a um total que varia de 2.000 a 3.000 mensagens.

Se isso acontece com mensagens de natureza publicitária, o que dizer da quantidade de informações gerais? A cada dia aumenta literalmente o número de fontes. Apenas um exemplo: os canais de televisão que não passavam de 5 em meados da década passada, hoje, com o advento da TV por assinatura, aproximam-se de 50. Sem falar da Internet, onde o número de “canais” aproxima-se do infinito.

Quando se associa ao aumento das fontes o aumento do espectro da informação, fenômeno decorrente da chamada globalização (o funcionamento da Bolsa de Hong Kong, por exemplo, passa a ser, em determinados momentos, tão importante quanto o da Bolsa de São Paulo), a problemática da atualização amplia-se muito.

Um simples exercício de medir o tempo gasto para informação diária dá uma dimensão aproximada da dificuldade. Quanto tempo seria necessário para: (1) ler dois jornais locais; (2) ler um jornal de circulação nacional; (3) ler uma revista semanal de circulação nacional; (4) assistir ao noticiário pelo menos uma vez por dia pela TV; (5) fazer uma navegação mínima pela Internet; (6) ler um mínimo de material técnico relacionado à atividade profissional? Para que isso fosse feito com tranqüilidade, não demandaria menos de 5 horas por dia. Um tempo livre de que raríssimas pessoas dispõem.

Daí, por certo, o sentimento de defasagem de informação que acomete aqueles que se preocupam em estar atualizados com o que vai pelo mundo e que tem reflexo direto ou indireto sobre os seus negócios.

Foi sempre pensando em oferecer uma alternativa viável para essa necessidade de atualização que o Gestão Hoje foi criado e desenvolveu-se até chegar, com o presente número, ao seu décimo ano de vida.

Foram mais de 450 edições (421 numeradas mais 32 da fase experimental) desde que o informativo veio à luz em março de 1994, todos elas dedicadas a fornecer ao leitor, numa página semanal apenas, informação sintetizada, atualizada e relevante sobre o que, externo à organização, afeta de alguma forma a sua gestão e pode ajudar a qualificar as decisões que precisam ser tomadas. Informação sistematizada para economia de tempo.

Trata-se, evidentemente, de um objetivo ambicioso que, ancorado na experiência cotidiana de consultoria empresarial da TGI Consultoria em Gestão, temos procurado atingir com dedicação e afinco. Os comentários e incentivos dos leitores nos têm animado a ir em frente e ajudado a acreditar que estamos trilhando o caminho certo.

Em comemoração ao ano 10, estamos programando algumas novidades para manter a sintonia com outra característica do informativo que é a atualização constante. Entre as mudanças previstas para 2003 estão: um novo layout para a versão fax, o aperfeiçoamento do site e a produção de uma coletânea com os melhores números do GH. Tudo com o intuito de continuar prestando o melhor serviço informativo ao leitor.

Número 420 - 06 de março de 2003

Carnaval, terrorismo e o início
da ação correta contra o crime organizado

Por mais paradoxal que pareça, a recente demonstração de força do crime organizado no Rio de Janeiro pode significar o início do tratamento conseqüente do grave problema nacional

 

É impressionante como em época de carnaval o país praticamente todo pára formalmente de funcionar, seja para brincar, seja para descansar. Nessas proporções (praticamente uma semana de feriados), talvez seja algo sem similar no mundo, pelo menos no nível de intensidade que ocorre por aqui.

Porque isso acontece não se sabe direito. Por certo tem a ver com a forma como o povo foi formado  e como a cultura forjada ao longo dos nossos 500 anos de história. Não é à toa que a maior animação conjuga-se com a maior tradição nas cidades mais antigas do país: Recife/Olinda, Salvador e Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro, inclusive, com visibilidade mundial como uma espécie de capital da folia, onde ocorre o famoso desfile das escolas de samba, auto-intitulado “o maior show da terra?. Milhares de turistas, de dentro e de fora do país, acorrem à cidade para ver de perto o espetáculo ou simplesmente para experimentar a satisfação de estar no Rio enquanto se desenrola a folia.

Pois não foi, justamente, no Rio de Janeiro, na semana pré-carnavalesca, que o chamado “crime organizado? promoveu uma série de atentados com o intuito de amedrontar a sociedade e chamar a atenção para a sua “causa??

Numa ousadia sem limites e algo suicida, a bandidagem ligada ao tráfico de drogas, extrapolou a contravenção habitual e a prática de seus “negócios? criminosos para organizar e executar um conjunto de ações de cunho “terrorista?, nunca antes observadas, pelo menos na magnitude executada.

Ônibus incendiados, “toques de recolher? decretados por “comandos?, coquetéis molotoves, granadas roubadas das forças armadas, assassinatos e outros expedientes terroristas foram praticados por toda a cidade, numa amplitude difícil de acreditar.

Em reação, o governo federal, de comum acordo com o governo estadual, providenciou imediatamente a transferência para um presídio de segurança máxima em São Paulo daquele que foi tido como o mandante dos atos praticados no Rio. Além disso,  capitaneou a intervenção de forças federais para reforçar a segurança da cidade, pelos menos durante o carnaval.

Esse episódio, pelo que tem de descabido e ousado, pode funcionar como marco para uma ampla tomada de consciência e para a mudança de postura diante de um problema de tamanha gravidade.

Luiz Eduardo Soares, antropólogo carioca e atual secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, talvez o mais criativo especialista no tema da atualidade, registra o seguinte comentário, em recente artigo sobre a questão:

“A tese mais original da nova política de segurança propõe a combinação de ações em duas frentes: social e policial. Não basta aumentar a eficiência das polícias, livrá-las da corrupção, torná-las menos brutais e racistas e fazê-las respeitar os direitos humanos, se os jovens sem perspectiva e esperança continuam a ser recrutados pelo tráfico e pelo crime. Por isso, simultaneamente ao esforço sem paralelo na esfera das reformas policiais, é necessário agir sobre as causas imediatas, já que as transformações estruturais exigem longo tempo de maturação.”

Luiz Eduardo Soares, Folha de S. Paulo, 24.02.2003

No artigo ele chega a dizer que é preciso “disputar menino a menino com o tráfico e o crime ?. A questão é grave, gravíssima, mesmo. Todavia, por mais estranho que pareça, a recente demonstração de força da contravenção pode ter sido o ponto de inflexão da curva, pelo menos no que diz respeito à tomada de consciência pelo governo federal. Não se pode falar em avanço social com a sociedade acuada pelo crime.

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